segunda-feira, 17 de abril de 2017

Rocky Racum e Groot: Uma dupla nada dinâmica



Amigos inseparáveis e membros dos Guardiões da Galáxia, Rocky Racum, um roedor falante geneticamente modificado e Groot, uma "árvore ambulante" que repete sempre a mesma frase ("Eu sou Groot"), reúnem-se pela primeira vez em sua própria série regular, cujo "episódio número zero" e seus três primeiros capítulos foram publicados pela Panini na nova revista "Guardiões da Galáxia" nas edições de #1 a #3. Os roteiros são de Skottie Young, que trabalhou recentemente com Rocky e os desenhos são de Filipe Andrade, jovem ilustrador português. Este material foi originalmente publicado lá fora em "All New All Different Marvel Point One" #1 e em "Rocket Raccoon and Groot" #1 a #3.

Rocky e Groot chegam na Terra durante o Halloween para caçar um alienígena, Horgon, cuja captura renderá uma boa recompensa. No caminho, eles esbarram com um grupo de garotos fantasiados que não os levam a sério, até que Horgon se revela, controla mentalmente todas as crianças das proximidades e as obriga a atirar nos dois. A dupla bate em retirada, odiando toda a situação.


Em seguida, vemos a situação aparentemente resolvida e Rocky, acompanhado de Groot, inicia a narração de uma aventura a um grupo de crianças em um acampamento. Oito meses após as Guerras Secretas, a equipe dos Guardiões presta uma homenagem póstuma a dois de seus membros: os próprios Rocky e Groot, cujos corpos não foram encontrados. O caixão simbólico é arremessado no espaço e atravessa um portal.

Ao chegar do outro lado, o caixão é atropelado e despedaçado por uma nave espacial guiada por outra dupla de amigos, Pocky, um roedor falante e Shrub, ambos de perfil bastante semelhante no temperamento e no "estilo de vida" de Rocky e Groot. Eles recebem a incumbência de entregar um "presente" ao Lorde Razkum, que se parece muito com alguém que conhecemos. Logo que isso é feito, ambos são acusados de roubo e aprisionados. O "presente" em questão é outro velho conhecido nosso, que não tarda a se revelar.



Groot também é aprisionado e Lorde Razkum pede que um intérprete seja trazido para que ambos possam se comunicar. Groot conta que há seis meses atrás despertou num lugar muito distante, sem seu fiel companheiro e com entalhes misteriosos em seu tronco, que indicavam um itinerário a seguir para encontrá-lo. Assim, ele empreendeu uma busca nos mais distantes rincões do universo que se revelou inútil. Desanimado, Groot "afoga as mágoas" em um bar no espaço e assiste, por acaso, a um pronunciamento na TV do Lorde Razcum, que é idêntico a seu amigo desaparecido. Groot, então, vai de encontro a ele, auxiliado por Pocky e Shrub. Contudo, Razcum parece não reconhecê-lo de jeito algum e lhe dá uma sentença de morte.

Groot se desespera e tenta se fazer compreender uma última vez. Em seguida, Razcum lhe dá um sorriso irônico e diz: "Te peguei!". Agora, tudo começa a fazer sentido. Rocky lhe conta que isso tudo foi pra se vingar de uma brincadeira feita a ele por Groot e seus colegas de equipe por ocasião de seu último aniversário (isso ocorreu na história publicada em Guardiões da Galáxia #5, de julho de 2015, pela Panini). A revelação é interrompida pelo verdadeiro Lorde Razcum, que foi libertado da prisão por Pocky e Shrub.



Mas Razcum demostra ser um grande mal-agradecido e ordena que todos os quatro trambiqueiros sejam mortos. Eles escapam do palácio e chegam aonde Pocky estacionou sua nave. Este se recusa a levar Rocky e Groot consigo. Os dois roedores lutam entre si e Rocky leva a melhor. Ele e Groot roubam a nave e deixam Pocky e Shrub para trás. Pocky jura se vingar a qualquer custo. Rocky e Groot atravessam o portal de volta e ambos se aproximam da nave dos Guardiões para fazer um "retorno triunfal" ao mundo dos vivos, para espanto de todos os presentes. 

Eu gostava mais da antiga série "solo" do Rocky, em que Skottie Young escrevia e desenhava, mas essa nova é simpática. A história é divertida e repleta de reviravoltas. Faltou explicar melhor por quê os Guardiões acreditaram que Rocky e Groot estavam mortos. Chamou-me muito mais a atenção o ótimo trabalho de Filipe Andrade, que transformou Groot em uma criatura realmente assustadora. Em alguns momentos, o seu traço, narrativa e uso de onomatopeias me lembrou o estilo do brilhante Bill Sienkiewicz. Mesmo assim, o desenhista soube muito bem criar uma "atmosférica satírica" bem apropriada para esta série. Aposto que seu trabalho evoluirá ainda mais no decorrer dos próximos anos.

C@rlos

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