segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Pantera Negra: Uma nação sob nossos pés - Livro 1

Quando foi dada a missão para o escritor de livros Ta-Nahisi Coates escrever uma nova leva de histórias marcantes do Pantera Negra logo após suas estreia nos cinemas, todos sabiam que a tarefa não seria fácil. Afinal, apesar de pouco material vir ao Brasil, o herói de Wakanda teve sempre ao seu lado bons momentos nos quadrinhos, passagens sempre marcantes por diversos autores que o definiram - Christopher Priest, Don MacGregor, Peter B. Gillis, até mesmo Jack Kirby e mais recentemente Reginald Hudlin. E para não revisitar e ser comparado a qualquer capítulo anterior destes, Coates fez aquilo que ainda era necessário para o herói: expandir e enriquecer ainda mais sua mitologia.



Colocando sob uma ótica moderna, Ta-Nahisi Coates nos coloca de cara com uma Wakanda bem longe daquele mundo perfeito e de súditos fieis. Depois de sofrer com ataques traiçoeiros de Namor, Doutor Destino e da Ordem Negra de Thanos, os Wakadianos não estão mais lá tão certos de que o que seu Rei T'Challa faz é mesmo o melhor para o seu povo. O ódio começou a se espalhar pelos vários cantos do reino e aparentemente uma mulher com poderes especiais é quem provavelmente está causando essa onda de revoltosos - Zenzi. Ela era da tribo dos Nigandana, cujo líder Tetu era alguém que juntava um grande número de homens ao seu lado dispostos a seguí-lo.


Até mesmo dentro da casa real as coisas não estão também tão firmes como eram antes. Após a rainha não aceitar absolvição de Aneka, uma das capitãs das Dora Milaje que atacou e matou um chefe de uma tribo que abusava das mulheres de sua vilã, outra fiel das Adoradas se revoltou. Ayo, amante de Aneka, roubou um protótipo de nova e letal armadura wakadiana chamada "Anjo da Meia-Noite" e invadiu o lugar onde sua amada estava e a libertou. Com o tempo, Ayo também passou a usar seu próprio protótipo de armadura e juntas a dupla passou a libertar mulheres abusadas nos diversos cantos do reino e assim criar uma legião própria - uma sem "Homem Algum".



T'Challa também combatia uma batalha internamente. Desde que deixou sua posição no reino para lutar outras lutas para salvar mundos, acabou deixando Shuri como a Rainha de Wakanda e nova Pantera Negra. Ela acabou perecendo no tempo em que ele e os demais eram foragidos impedindo Mundos de Colidirem e hoje ele tenta sem sucesso um jeito de ressuscitar a irmã com a tecnólogia que tem em mãos na Necrópole.

A história é interessante ao honrar antigos antagonistas que também se revoltaram, citando Killmonger e M'Baku em vários momentos. Mas agora são outras vozes que são ouvidas e, no lugar de apenas tomar o trono de Wakanda, algumas falam em abrir a nação para a democracia. É o caso de Changamire, um professor de filosofia e ex-amante de Raimonda (Viúva de T'Chaka), que no passado muitas vezes levantou sua voz para o fim da monarquia wakadiana. De certo modo, o líder Tetu (que parece ter uma ligação de parentesco com o filósofo) tenta se apoiar nas ideias de Changamire para justificar suas ações contra o rei, mas o próprio professor o condena por se associar a homens brutais do Facão para.



Mais a frente da história, quando T'Challa finalmente confronta a psíquica Zenzi nas froteiras Nigandanas, descobre que ela não é uma manipuladora de fato, mas sim uma reveladora. Ela abriu o véu da fraqueza que T'Challa vem cada vez mais sentido dentro de si ao povo e o fez rever de modo humilhante fantasmas do passado, antigos Pantera Negras e a irmã que não conseguiu salvar. Quando sai o seu transe, o Pantera Negra ainda leva o choque de ver seu povo do lado dos rebeldes, que dizem que já estavam sendo atendidos pelos revoltos antes de T'Challa invadir o lugar e vir com mais promessas.

E voltando para uma das principais problemas que perturba o Pantera Negra hoje, eis que vemos algumas cenas de Shuri ou o espírito dela em Djalia, um tipo de plano astral wakadano. Ela vem sendo instruída por alguém que se passa por sua mãe, mas se define depois como sendo a Mãe de todos. Ela se define como uma Griot, uma ente que preserva as histórias perdidas de seu povo e pretende instruir Zuri para reencontrar sua alma e sua vocação, não com uma lança, mas sim com um tambor.

Tetu também revela-se sendo mais do que um simples líder. Também sendo um xamã, ele revela no decorrer dessa história ter poderes sobrenaturais e começa a ser adorado por aqueles que vem seus atos. Quando é confrontado por T'Challa, mesmo com o Pantera Negra tendo uma armadura muito mais tecnológica e apoiada por sua tropa de elite, os Cães de Guerra, ele facilmente detem todos controlando as plantas ao redor e prendendo todos. No fim, ele deixa T'Challa para trás, mas não sem antes lembrá-lo que há outros que seguem as antigas tradições de seu povo e que ele é mais do que apenas um título que se ganha por direito de nascença.



Já Ayo e Aneka tem também seus próprios planos em particular. Após libertar mulheres nas Terras Jabari e atraírem a atenção do novo governante de lá, Mandla, irmão Caçula do Homem-Gorila original M'Baku,  elas armam uma armadilha para juntas elas destronarem ele e acabarem com suas forças. Assim, elas acabam tomando para si aquele pedaço de terras e aos poucos vão ganhando força com uma só.

No fim deste primeiro encadernado, vemos T'Challa reunindo tudo que vem fragmetando seu reino. Ouve de Akili que Tetu pode ter ligação com Changamire (o que obriga Raimonda a uma visita ao antigo amante), assiste um video em que Ayo e Akena mostram o corpo de Madla com uma mensagem direta e arrasaram as terras dos Jabari e, por fim, vê que a revolta do povo está mais para revolução. Tetu rapidamente entre em contato com Ayo e Akena para unir forças e avisa que devem se preparar para a chega provável de super-seres amigos do rei. E em meio a tudo isso, ao conversar com sua madastra, T'Challa chega a conclusão que tudo que precisa fazer é olhar por seu povo e se revelar como uma inspiração como seu pai foi antes. E assim, eles fazem uma grande caminhada naquele dia para reconquistar os olhares dos Wakadanos.

E nas páginas finais, descobrimos que assim como T'Challa tem seus contatos importantes com o mundo lá fora, Tetu também já fez os seus - Zebediah Stane. Um atentado acontece então no meio da caminhada de T'Challa e uma das vítimas é sua madastra. Em ira, o Pantera Negra toma uma atitude radical ao declarar guerra contra os terroristas. E diz que eles é que são o Terror.



Assim, fechamos o primeiro pedaço dessa grande e bastante atual história feita por Ta-Nehisi Coates. Ele acerta em cheio ao mudar de todos os lados o status quo de Wakanda e dar novos perigos e rostos aos desafios do Rei. Apesar de não ser exatamente novo esse tema de revolução interna no reino, as motivações de cada um aí são inéditas e bem maduras. O autor também não esquece o passado recente de T'challa e o usa muito bem como uma fraqueza justa para um herói que muitas vezes é tido como inabalável. Isso tudo muito bem acompanhado das ilustrações de Brian Stelfreeze. Com o encadernado brasileiro, ainda temos algumas páginas de extras e uma história da primeira aparição do Pantera Negra nos quadrinhos.

Coveiro

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