Como visto não só na revista da Capitã Marvel como também no título dos Guardiões da Galáxia, esse lado dos heróis viveu grandes apuros ao se ver constantemente atacado por invasores Chitauris e ao mesmo tempo tentando encontrar um meio de abrir nem que fosse uma pequena passagem pela redoma de volta ao planeta. Depois de várias tentativas desesperadas, incluindo autodestruir a própria estação espacial para quebrar o escudo, eis que a nova Quasar desperta depois de ter sido gravemente ferida e ajuda a Capitã Marvel a destruir o escudo. Carol Danvers não perde um instante para chegar até o lugar onde supostamente o Steve da Hidra teria guardado os 'ovos' chitauris e os destruiu, impedindo assim que os aliens voltassem ensandecidos a tentar invadir o planeta mais uma vez.
Após o Império Secreto, a Marvel começou a tentar recuperar os leitores numa tentativa não muito bem sucedida de retomar as numerações antigas. Foi a curta fase do MARVEL LEGADO (Capitã Marvel #125 a #129). No caso da Capitã Marvel, isso levou a um arco 'final' dessa fase da personagem em que era preciso resolver sobre o destino da criança Kree desaparecida. Após se sacrificar, Bean continuou a aparecer em uma forma energética para a Capitã Marvel. Contudo, da última vez que se manifestou, a forma de energia estava com aparência adulta e pedia a ajuda da heroína. Assim, Carol Danvers juntou toda a equipe da Tropa Alfa que tinha recebido férias forçadas desde que a estação espacial explodiu e ele uniram seus esforços para encontrar um jeito de salvar a Bean.
Todavia, mal estavam se organizando para a missão exploratória para salvar a Bean e eis que a Tropa Alfa sofre mais uma ataque do transmorfo Mim e da Doutora Eve. Na tentativa de capturá-los quando esses estavam fugindo, a Capitã Marvel acabou sendo alvejada por uma forma estranha de energia e quando recobrou a consciência estava em outra realidade. Ela viu uma versão diferente da estação espacial sobre a Terra, deparou-se com uma versão deturpada da Tropa Alfa... que na verdade se autodenominavam Zetas e descobriu que naquela realidade ela era tida como uma vilã. Ela tinha ido parar numa versão espelhada deturpada da nossa realidade.

A história ainda é inédita no Brasil e provavelmente a Panini ainda não publicou-a devido as ligações que a história tem com as Guerras Infinitas, próxima saga da Marvel no Brasil. Depois de encontrar uma equipe maluca de piratas siderais que seriam os Guardiões da Galáxia daquele mundo e um Thanos e Nebulosa que eram 'pacifistas', Danvers finalmente topa de novo com a Doutora Eve e descobre que ela era na verdade uma cientista Kree que queria realizar a loucura de restaurar Hala no nosso universo. Para tal, Eve viajou até aquela realidade vizinha para roubar a Pedra de Gaia (que seria a versão daquele mundo da Joia da Realidade) e pretendia usar a Bean e a Carol Danvers que juntas causariam uma reação energética fora do comum para transferir a Hala daquela realidade para o universo 616.

A Capitã Marvel conseguiu convencer a Bean a não obedecer a Doutora Eve mais e com isso ambas escaparam para a realidade 616 deixando a Hala alternativa e a vilã Kree para trás. E as consequências diretas dessa Pedra da Realidade de outra realidade foram trabalhadas no prelúdio das Guerras Infinitas (ainda por vir aqui no Brasil).
'MARVEL GENERATIONS' E 'A VIDA DA CAPITÃ MARVEL'
A revista mensal da Capitã Marvel chegou ao fim, mas antes de passar o bastão de novo pra próxima roteirista, Margareth Stohl teve ainda duas histórias avulsas com a Carol Danvers para serem exploradas aqui.
A primeira delas é uma história que fez parte de uma coletânea de revistas da linha Marvel Generations. Basicamente, era uma iniciativa que antecipou a fase Legado e que propunha fazer encontros atemporais entre personagens que usavam o mesmo manto, mas de gerações diferentes. No caso de Carol Danvers, este encontro seria algo meio inusitado já que o Capitão Mar-Vell original estava morto a anos. Assim, Stohl decidiu fazer um encontro atípico em que Danvers simplesmente foi tomada da linha temporal onde estava e apareceu no passado, na Zona Negativa, num período em que o Kree vivia preso naquela realidade enquanto Rick Jones voltava a seu corpo no nosso mundo.

O que nós nunca nos perguntamos foi o que Mar-Vell fazia nesse tempo do outro lado e a resposta está aqui. Danvers se vê colocada bem no meio de uma guerra da Zona Negativa, onde o vilão Aniquilador avança pra cima de uma das raças nativas do lugar. Pela sua natureza, Carol decide ajudar e é quando está quase vencida pelos números quase infinitos das hordas do Aniquilador que Mar-Vell chega para ajudar. Carol está completamente absorta, e sem ser reconhecida, decide manter o anonimato para o Kree durante boa parte da aventura. Para Mar-vell, ela seria Car-ell, uma estranha soldado Kree que ele não sabia como foi parar lá.
A trama em si não é ponto forte da história. Contudo, a história se sai muito bem ao criar uma relação divertida entre a dupla. Mar-Vell tem fala pomposa, um equilíbrio de emoções e é sempre comedido, o que faz Carol Danvers lembrar que sempre achou ele meio 'yoda' ou 'spock'. Já a Capitã é pura emoção e reação. Mar-Vell acha esquisito seu comportamento bem indisciplinado para alguém que foi treinada nas academias militares Krees e começa a ter uma leve suspeita de quem ela é no decorrer da narrativa. Juntos, acabam derrotando o Aniquilador e pouco depois disso Danvers acaba desaparecendo dali, não tendo assim a oportunidade de revelar quem de fato ela era.

A outra história que deve ser citada aqui é 'A Vida da Capitã Marvel', recentemente lançada em formato de encadernado pela Panini aqui. Junto com Carlos Pachecho, Margareth Stohl resolve reescrever boa parte da verdadeira origem da Capitã Marvel nesta minissérie em cinco partes. Leva a personagem a visitar sua família, os únicos vivos ainda, o irmão Joseph Jr e a mãe Mary, que agora se mudaram para uma pequena cidade no Maine. Era um lugar onde morava o tio de Carol e ela viveu muito cedo sua infância ali. Reencontrou um amiguinho de infância e reviveu os tempos em que passeava de barco por lá com os pais. Mas logo as boas lembranças são ofuscadas de novo pelos estresses familiares. Stohl faz um bom esforço em costurar bem a complicada dinâmica familiar da familia Danvers e culmina logo na primeira edição com uma tragédia - Joe Jr sofre um acidente e quase morre.

Durante a recuperação do irmão, Carol Danvers acabou se deparando com mais mistérios desconhecidos do seu passado. Revirando a gaveta do seu pai, acabou encontrando cartas apaixonadas para um mulher misteriosa e um dispositivo estranho - que acabou acidentalmente ativado. Tudo levou Carol a crer que seu pai, um homem que sempre teve problemas com ela, que ele além de chauvinista e bêbado, era adúltero. Contudo, a heróina não poderia estar mais enganada. Quando sua casa foi atacada por uma criatura chamada Kaptor Kree, viu se desfraldar o verdadeiro mistério de sua mãe. Ela era uma Kree, enviada a Terra como infiltrada muitos anos atrás, e que abandonou sua missão para viver um amor e estava escondida até então.

Com isso, a roteirista promoveu uma mudança radical em toda a natureza dos poderes de Carol Danvers que era bem estabelecida até então. Carol é Car-ell, uma meia-Kree. E a origem de seus poderes não era mais por conta do Mar-Vell, mas sim por conta do DNA da sua mãe. Seus poderes só foram ativados pelo Psico-Magnetron, mas eram já naturais a ela de qualquer jeito. Essa ideia de Stohl de deixar a personagem ainda mais distante do seu legado atrelado ao Mar-Vell pode até ter sido ótima na teoria, mas na prática tinha uma série de problemas se contrastados com as histórias anteriores que simplesmente faz essa edição uma peça muito avulsa na cronologia da personagem.
Forçadamente, ela teve que colocar Carol Danvers como a caçula da família e dizer que os dois irmãos eram não só mais velhos, mas frutos de outro casamento de seu pai. Originalmente, sempre foi implicito que ela e Steve tinham praticamente a mesma idade e Joe Jr era bem mais novo. Também implicou que todo o Kree potencialmente poderia ter poderes sobrehumanos como o dela, já que sua mãe também os tinha, era inclusive capaz de voar e conseguiu tudo isso graças a intenso treino. Nada disso tem corroboração nenhuma anterior com o que se conhecia dos aliens, não faz sentido inclusive com qualquer história contemporânea. Mas fora isso tudo, ainda amenizou muito o lado do Joseph Danvers, dando entender que a bebedeira ou seus rompantes de raiva com Carol eram na verdade em parte medo de Marie e sua filha serem 'achadas' pelos Krees. Sua oposição a ela ser militar seria no fim um modo de impedir que ela seguisse um caminho para as 'estrelas'. Só que história anterior nenhuma antes deu qualquer indício dessa lado mais ameno de Joseph Danvers.
Patinadas e furos a parte, Margareth Stohl termina a história de uma forma dramática e bem humana. Mary foi mortalmente ferida ao tentar proteger a filha do ataque da Kaptora Kree e morreu. Antes de fechar definitivamente os olhos, disse a Carol que a maior missão dela na terra foi ter ela, sua filha. Joe Jr, o único parente vivo, depois de se recuperar decide pegar o barco da família e procurar seu destino. Depois se despede de seu único amigo na cidade, Loius Lee, que sempre foi apaixonado por ela e parte para o alto. A minissérie termina mais enfraquecida que começa, infelizmente. Era uma história que fazia falta, de tratar o núcleo familiar da personagem que era um branco e faltou algum cuidado editorial nítido aí no final.

Agora, vamos encerrar o nosso arquivo especial da Carol Danvers por aqui. As histórias que seguem a partir daqui praticamente saem num novo volume lançado concomitantemente ao filme nos cinemas. A nova roteirista a assumir é a já experiente Kelly Tompson. Ela vem acompanhada de mais três mulheres para formar um time completo feminino, Amanda Conner nas capas e Carmen Nunez Carnero, nas páginas interiores. A colorista é Tamra Bonvillain. Pelo que eu lembro, nunca antes teve uma equipe criativa feminina dominando totalmente assim uma revista.
E obviamente, não deve demorar muito para esse arquivo logo ficar defasado. Com o sucesso nos cinemas, é certo que a nossa Carol Danvers ainda tem um caminho ainda mais longe, alto e sempre daquele seu jeito rápido para seguir. Quem sabe até o próximo filme não voltamos aqui para um novo Arquivo de sua história.
Coveiro