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quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Magneto: Fim do Mundo


Já faz algum tempo que todo o multiverso sofre com uma terrível onda de incursões que aniquilaram diversas realidades. A nossa é uma das últimas remanescentes, mas agora uma incursão derradeira se aproxima da Terra e Magneto fará tudo o que estiver ao seu alcance para impedir que o mesmo aconteça conosco. Acompanhe o arco "Os Últimos Dias de Magneto", narrados pelo escritor Cullen Bunn e os desenhistas Paul Davidson e Gabriel Hernandez Walta em Magneto #18 a #21, publicado em X-Men Extra #29 pela Panini.

Magneto se encontra em Nova York enfrentando sua batalha contra o fim do mundo. Do seu lado se encontra Lorna Dane, sua filha, também conhecida como Polaris e dotada de poderes magnéticos. Ele também recebe o apoio de sua guarda de elite, os Carrascos, que tentam proteger os inocentes ao redor. 




Neste momento decisivo, Magneto relembra diversos momentos marcantes de sua atribulada existência. Ele se lembra de quando tentou cooptar Namor, o Príncipe Submarino, para participar de sua Irmandade de Mutantes. O atlante recusou a oferta, obviamente. Anos depois eles se reencontrariam em Utopia, a antiga base insular dos X-Men, associados à equipe mutante e mais recentemente em Genosha. Nesta última ocasião, Namor entregou a Magneto todas as informações que tinha sobre as incursões para que ele possa agir se necessário. "Se eu falhar, diz o atlante, a tarefa caberá a você. Talvez essa horrenda missão fique mais palatável se você enxergar essa terra paralela como adversária dos mutantes."

Magneto está drenando toda a energia magnética da Terra e pretende fazer o mesmo com o mundo paralelo que se aproxima cada vez mais. Mas este também não pretende se entregar sem luta e manda ao ataque a sua própria versão dos Sentinelas, os robôs caçadores de mutantes. 



A raça humana, que tantas vezes foi ameaçada por Magneto, agora o reconhece como seu salvador e deposita nele suas últimas esperanças de sobrevivência. Um fato assustador que não passa despercebido por Lorna Dane. 

Para que Magneto consiga manter esse nível altíssimo de poder, ele tem recorrido constantemente a doses de MGH, o hormônio de crescimento de poderes mutantes, fabricado por um químico  a serviço dele. Magneto foi novamente a seu encontro para pressioná-lo para que seu poder aumente ainda mais, mas a única solução que o homem apresenta é capaz de matá-lo em poucos segundos. Briar Raleigh, com quem o mutante tem um relacionamento controverso, tenta acalmar a situação e o alerta de que ampliar seus poderes artificialmente o tempo todo pode levá-lo a seu fim. Magneto concorda com ela, mas mesmo assim está disposto a correr o risco. 

Eles acabam recorrendo ao infame Homem-Doce, um cientista disforme que se exilou no nosso planeta ao fugir da Era de Apocalipse. A criatura apresenta a eles os planos de um dispositivo capaz de reunir e amplificar energias magnéticas. Magneto os aceita, satisfeito, e assassina o cientista por considerá-lo "um cancro que ameaçava a espécie mutante".

Magneto estuda os planos para montar o dispositivo amplificador. Em seguida, ele se dirige a Briar para esclarecer uma questão ainda em aberto. Ele reconhece que ela tem sido bastante útil ao lhe fornecer informações convenientes e pistas para seguir, mas ele exige saber de uma coisa: "quem você realmente é, Briar?"

Briar finalmente lhe conta que foi vítima de um ataque dele em Seattle, quando estava lá para visitar um namorado. Ela acrescenta que seus pais eram "podres de ricos" e que tinha tudo que queria, mas era uma vida muito tediosa. Nos meses de fisioterapia que se seguiram após o incidente, ela não parava de pensar no mutante e com o tempo compreendeu suas razões. Ela achou que poderia ajudá-lo de alguma forma, direcionando suas ações com maior precisão e evitando novos danos colaterais em pessoas inocentes. 

Magneto não acredita em sua explicação e agride a moça com seu poder. Ela diz que gosta "deste lado" dele e acrescenta que "é a dor que nos mantêm vivos". Magneto a liberta e diz que vai realizar o desejo dela de estar "face a face com a morte" e que seguirão juntos até o fim.



Briar se retira para se encontrar com a Agente Rodriguez, da SHIELD, simpatizante da causa mutante, para lhe entregar informações sobre o "projeto secreto" que Magneto está trabalhando. A agente revela que sua superior, Haines, convenceu a agência a efetuar um ataque a Genosha e sugere a evacuação da ilha antes da ofensiva. Briar pede a Rodriguez que ajude Magneto a ganhar tempo e, quem sabe, "convencer a SHIELD a dar uma forcinha". Felizmente, no calor da batalha, isso realmente acontece quando os Carrascos soltam os amplificadores com a cobertura do aeroporta-aviões comandando por Haines. 

O nível de poder de Magneto não para de crescer, mas ainda não é o suficiente. Ele pede perdão a Lorna pelo que está prestes a fazer e rouba os poderes de sua filha. Em seguida, vemos como Briar se encontrou com Lorna anteriormente para pedir ajuda, já que Magneto está montado um ataque suicida e que ele certamente gostaria de ter a filha do lado, mas não às custas da vida dela. O mutante se pergunta se não haveria uma contraparte dele neste mundo paralelo tentando fazer o mesmo que ele. Na verdade, ele ignora que o Magneto deste mundo morreu por causa das consequências do maremoto Ultimatum, lançado por ele na cidade de Nova York do Universo Ultimate.
Nesta hora definitiva, Magneto se recorda de quando enfrentou os X-Men originais pela primeira vez no Cabo Cidadela, o que revelou ao mundo a existência do "homo superior". Em seguida, ele se lembra de quando afundou o submarino soviético Leningrado como retaliação a um ataque que sofreu. Ele também se lembra de quando se tornou soberano de Genosha pela primeira vez, mas a ilha sofreria um ataque devastador de Sentinelas causado por Cassandra Nova, a irmã gêmea de Charles Xavier. Outra lembrança que lhe chega é de quando removeu o adamantium dos ossos de Wolverine e do ataque em Seattle que vitimou Briar. 

Magneto, nos últimos instantes de sua existência, reconhece que ódio, fúria e medo dirigiram suas ações e que isso sufocou as vozes das pessoas que jurou defender e de outras que até poderiam ajudá-lo em sua causa: "Ah, Charles, por que não enxerguei?" Em seguida, seu corpo é consumido pela enorme quantidade de poder e seu capacete cai ao solo.



Briar e Lorna percebem que Magneto morreu e que não há mais o que fazer a não ser aceitar o inevitável. Cabe a Lorna uma reflexão que não deixa de mostrar a trágica ironia da situação, antes da incursão consumir a Terra por completo: "Meu pai sempre odiou este mundo e estas pessoas mas, ainda assim, ele tentou defendê-los."

Que final espetacular para aquele que se revelou como o melhor título mutante da atualidade. Como é bom ver um escritor que compreende a essência de seu protagonista, que era fazer o que achava certo sem medir esforços e consequências. Foi um final digno para um grande personagem. O escritor ainda teve o mérito de manter a consistência de seu trabalho sem ser afetado pelos diversos eventos da "Casa das Ideias" e soube tirar um bom partido deles. 

Sobre Briar Raleigh, pareceu-me que ela era mais aliada a seus próprios interesses doentios do que propriamente ser uma aliada de Magneto ou uma agente dupla de SHIELD. Acho que o encerramento do título por causa de Guerra Secretas talvez tenha prejudicado um maior desenvolvimento das motivações de uma personagem interessante, que soube manipular Magneto muito bem. 



O desenhista Paul Davidson foi o responsável pelas edições de #18 a #20. Ele fez um trabalho interessante, porém mais convencional, mas ele manteve uma característica da série que era utilizar traços de estilos diferentes em passagens em "flashback", respeitando o visual dos personagens na época. Na edição #21, que encerrou o título, tivemos o desenhista Gabriel Hernandez Walta, que desenhou a maioria das edições. Uma pena que ele não desenhou esse último arco todo. Como sempre, ele foi muito bem acompanhado pela colorista Jordie Bellaire, que já elogiei aqui anteriormente e que merecidamente ganhou o Eisner Awards pelo seu trabalho nesta série. 

Ouso dizer que Magneto, apesar de seus inúmeros pecados e contradições, foi mais heroico do que os diversos heróis que abandonaram a Terra para escapar da última incursão. Gostaria de que os leitores falassem sobre isso nos comentários, concordando ou não comigo. 


C@rlos

domingo, 7 de agosto de 2016

X-Men: Uma por todas, e todas por uma

Guerras Secretas já está chegando, mas antes que o multiverso entre em caos, a equipe de X-Men liderada por Tempestade ainda tem uma última missão a cumprir. E, dessa vez, grandes superpoderes não farão diferença alguma se elas não souberem trabalhar em equipe.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Homem-Aranha e os X-Men: Quem será o traidor?


Peter Parker, o Espetacular Homem-Aranha, recebeu uma missão póstuma de Wolverine para descobrir um aluno infiltrado na Escola Jean Grey para Estudos Avançados e tem se metido em uma confusão atrás da outra com sua "turma especial". Eles foram capturados por Sauron e Stegron, sequestrados pelo Camaleão e levados para o Mojoverso e agora se veem diante de um desafio ainda maior: lutar contra Rapina e a Ninhada, mesclados a simbiontes da mesma raça de Venon. Eles foram parar na EJG graças a uma disputa de "feira de ciências" entre a turma de Peter e a de Hank McCoy, o Fera, que construiu um dispositivo de teleporte para a ESPADA (Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena) e ao ativar o aparelho trouxe esses visitantes indesejáveis do espaço.

Agora o Homem-Aranha, os X-Men e a "turma especial" precisam lidar com esse problema, como nos mostrará o escritor Elliot Kalan e os desenhistas Marco Failla e Diogo Saite no encerramento de Spider-Man and the X-Men  em suas edições #5 e #6, publicadas aqui no Brasil em X-Men Extra #28 pela Panini.


A confusão é incomum até para os padrões que todos estão acostumados. Peter ordena que Angélica Jones, a Flama, jogue suas rajadas de fogo para afugentar as criaturas em direção ao portal e o estratagema funciona. A situação se acalma, mas o clima entre Peter e os outros professores da EJG continua bem ruim. Apesar disso, Peter e Fera decidem deixar suas diferenças de lado e ambos atravessam o portal para salvar a tripulação da ESPADA, incluindo Abigail Brand, que voltou a namorar com o Fera. A impetuosa "turma especial" vai logo em seguida, atrás de seu professor: Satânico, Pedreira, Garota-Tubarão, Glob, Ernst, Ocular e Não Garota.

No Zênite, a estação espacial da organização, os heróis encontram um cenário de destruição. A "Ninhada simbionte" vem de encontro a eles e Pedreira, numa atitude impensada, destrói o portal para evitar que os inimigos alcancem a Terra. Mas isso também acaba com qualquer possibilidade de envio de reforços. Durante a luta, os heróis percebem que seus adversários parecem enfraquecidos. Graças a isso, Satânico consegue prender os simbiontes em um campo de força logo após eles abandonarem seus exauridos hospedeiros. A equipe avança e descobre que todos os tripulantes da estação estão infectados com simbiontes, inclusive Abigail, que empurram todos em direção a Rapina e um exército deles.


Os simbiontes atacam e Peter pede que Satânico liberte uma das criaturas aprisionadas. Ele também pede à Não Garota que lhe dê "cobertura mental" para que possa "vesti-la" sem perder o controle. Em seguida, o aracnídeo se atira em direção a Rapina e ambos começam a lutar entre si. No subconsciente de Peter, Martha se vê diante de extrema dificuldade para cumprir o que seu professor lhe determinou. Peter é estrangulado por Rapina, mas consegue fazer com que ela o solte ao lembrá-la do filho que está esperando. Isso faz também com que Rapina se liberte do simbionte que a dominava, mas agora pode ser tarde demais para o Homem-Aranha.


Imediatamente o Fera dispara um canhão sônico improvisado no aracnídeo e assim ele se liberta do simbionte. O mesmo foi feito antes com Abigail e a tripulação. Abigail esclarece que a Ninhada chegou pedindo asilo na estação espacial, mas era um engodo. Ela sugere a Satânico que os simbiontes aprisionados sejam arremessados no espaço, mas resta ainda solucionar o retorno dos heróis à Terra, já que não há no local nenhuma nave com proteção à reentrada na atmosfera terrestre. Num ato de extrema coragem, Glob se oferece para utilizar seu corpo fluídico como escudo térmico e garantir a segurança de todos. Peter se orgulha de seu aluno e o arranjo é feito deste modo.

A nave é lançada e logo Glob se arrepende de seu altruísmo. Mesmo assim, o garoto sobrevive por pouco à experiência e todos alcançam a Terra à salvo numa aterrissagem forçada. "Ainda não matei nenhum aluno", diz o aracnídeo, aliviado. De volta a EJG, Peter diz em particular à Não Garota que tudo aponta para que ela seja a infiltrada, mas que não sabe o que pensar já que ela se arriscou por ele no Zênite. A conversa é interrompida por Ernst, que confessa ser a traidora, a mando do Senhor Sinistro.


Peter é aprisionado e os outros alunos reparam na sua ausência, assim como na de Ernst e da Não Garota. Satânico imagina o pior e chama seus colegas para sair em busca de seu professor. Iara, a Garota Tubarão, está cada vez mais encantada com as atitudes de seu amigo e não esconde isso dele. Ela consegue farejar o odor de uma fábrica de papel na bagunça que se tornou o quarto de Peter e todos se dirigem para lá.

Enquanto isso, Ernst tenta se explicar para seu professor, dizendo que agiu a mando do Senhor Sinistro para que ele construísse um corpo físico para sua melhor amiga, Martha, e o vilão cumpre sua parte na barganha, colocando-a num corpo clonado de Tempestade. Não satisfeito com isso, ele clonou suas próprias versões de Fera, Wolverine, Homem de Gelo, Noturno e Flama, com todos sob controle mental dele.

Os alunos de Peter chegam na fábrica de papel, mas não encontram nada. Satânico pede que Ocular use sua visão ampliada para encontrar alguma coisa e o rapaz enxerga uma corrente elétrica bastante incomum vinda de um shopping em frente à fábrica. Seguindo a trilha, todos se veem diante da porta de uma despensa no interior do shopping e Pedreira a põe abaixo com um murro. Eles encontram quem procuravam, além dos X-Men clonados do Senhor Sinistro.


Peter se liberta e se junta aos alunos no combate. Ele consegue fazer com que o clone de Flama incinere a valiosa coleção de amostras de DNA de professores e alunos da EJG que Sinistro utilizou em seus clones. A Garota Tubarão tomba exausta pelo esforço de lutar contra o clone de Wolverine e volta à sua forma humana. Satânico a ampara e eles se beijam. Martha, no corpo de Tempestade, é forçada a lutar contra Ernst, que é atingida por fortes descargas de raios. Mesmo controlada por Sinistro, Martha diz que nenhum corpo físico vale tanto sacrifício e pede a Ernst que faça a coisa certa, o que a leva a arrancar o cérebro de sua amiga do corpo em que ele se encontrava.


Os alunos partem para uma ofensiva direta ao Senhor Sinistro. Peter é nocauteado pelo clone de Wolverine e a escuridão o envolve. Quando ele desperta, está de volta à EJG, diante da verdadeira Tempestade. Ela lhe põe a par do desempenho impressionante de seus alunos, que assimilaram suas ideias de "poder e responsabilidade" ao deixarem o vilão escapar para salvar seu professor e os inocentes que estavam no shopping, que acabou destruído mas ninguém morreu por causa disso. Além disso, eles conseguiram convencer a direção da EJG a dar uma pena menos severa para Ernst por ter se aliado a Sinistro. 

Peter fica emocionado com seus "adoráveis delinquentes juvenis", que começam a chamá-lo de "Professor A". Mesmo assim, eles ficaram tristes por não conseguirem salvar os clones de Sinistro, que foram derretidos quando o vilão explodiu o laboratório para fugir. Peter os consola, dizendo que pelo menos eles tentaram fazer a coisa certa e que agora aprenderam o que é fazer parte de uma equipe. Ele pede desculpas a Martha por tê-la acusado de traição e percebe que ela está especialmente feliz, pois Ocular a convidou para sair. Satânico e Iara se acertam e iniciam um namoro. 

Com o cumprimento de sua missão póstuma, Peter se despede de seus alunos, mas promete manter contato regular com eles. Um mês depois, a "turma especial" da EJG sai correndo da instituição para se encontrar com seu antigo professor e saírem em "missão de patrulha" na cidade de Nova York. "A mim, meus X-Men", brada o Homem-Aranha para os seus alunos, felizes de estarem com ele novamente.


Eu me diverti muito lendo essa série. É uma pena que ela tenha terminado de maneira tão precoce, com apenas seis edições. Pelo menos, a última teve um número maior de páginas, o que facilitou o desfecho da história. Gostei muito da interação do aracnídeo com seus alunos e de como o seu jeito estabanado colidiu toda hora com a direção da EJG. Como já dissera antes, cada aluno da "turma especial" teve pelo menos um momento de participação decisiva no desenvolvimento do enredo e seu "arco de histórias" particular. Mérito do escritor Elliot Kalan, que soube trabalhar muito bem com um grupo tão heterogêneo. Achei também que a ideia de unir vilões do aracnídeo com outros da equipe mutante funcionou muito bem. 

Os desenhos de Marco Failla e Diogo Saite estavam bons, mas não gostei da representação visual do Senhor Sinistro. Pareceu-me uma caricatura dele mesmo, mas isso não chegou a ser um grande problema.

C@rlos

terça-feira, 12 de julho de 2016

Espetaculares X-Men: O único e eterno Fanático


Piotr Rasputim, o Colossus, foi acolhido pelo seu falecido amigo Wolverine na Escola Jean Grey para Estudos Avançados após uma série de decisões controversas no passado, mas ele tem sonhado com o demônio Cyttorak. A criatura exigia a adoração da humanidade, mas ela não o atendeu e com o tempo foi banido da Terra. Longe, ele se sentia atraído por nós de maneira irresistível, mas encontrou um meio de fazer com que todos voltassem a sentir o seu poder e canalizou sua essência em um rubi. Aquele que o encontrasse seria o seu avatar de destruição em nosso mundo e a humanidade o idolatraria. Era a maneira dele de exprimir o seu "amor" por nós.

Porém, todos esses avatares falharam e a joia se perdeu, mas é hora de Cyttorak escolher um novo representante. Há vários candidatos em potencial, como irá nos mostrar o escritor Christopher Yost e o desenhista Jorge Fornés no arco "O único e eterno Fanático", publicado em Amazing X-Men #15 a #19 e aqui em X-Men Extra #26 a #28 pela Panini.

Em seus pesadelos, Piotr é avisado de que o rubi de Cyttorak está de volta à Terra. O demônio o está chamando, já que o mutante foi um dos avatares a serviço dele. Ele compartilha a informação com Tempestade e pede para ir junto com os Espetaculares X-Men encontrar o rubi, mas ela não permite que ele se junte ao grupo por não confiar nele o suficiente. Assim, Ororo parte com Noturno, Homem de Gelo, Estrela Polar, Flama, Pedreira e Rachel Summers em direção a um templo no sudeste asiático. Chegando lá, eles precisam passar pelo seu guardião.


Piotr não desiste de encontrar a joia e pede que a mutante teleportadora Fada o leve de encontro a ela. Outros possíveis avatares também são atraídos para o local, como Ossos Cruzados, Katrina Van Horn e Fahd Alireza, todos eles repletos de ódio e desejo de poder. A equipe mutante precisa lutar contra cada um deles. Para isso, os demais deixam Pedreira lutando contra o guardião do templo, que tenta seduzi-lo com a oferta de ser o novo avatar de Cyttorak. De repente, as batalhas são interrompidas com a chegada do primeiro avatar do demônio na Terra, Cain Marko.


Ele foi trazido por Vanisher, um antigo inimigo teleportador dos X-Men. Após cumprir a tarefa que lhe coube, ele se retira. Mesmo desprovido de poder, Cain se impõe diante de todos e exige saber dos X-Men quem foi o responsável pela morte de seu meio-irmão, Charles Xavier. Estrela Polar conta a ele que foi Scott Summers, o Ciclope, quando estava imbuído do poder da Fênix.

Pedreira derruba o seu adversário e, na confusão, Cain se aproxima do rubi mas é interceptado por Colossus. Ambos alegam querer destruir a joia para sempre. Nas sombras, mais um oponente se revela e alcança a joia antes dos outros dois: Ahmet Abdol, conhecido anteriormente como o Monólito Vivo e, agora, o novo Fanático.


Diante disso, os X-Men e Cain se reagrupam para traçar uma estratégia. Em seguida, parte da equipe vai para o conflito direto contra seu novo adversário e os demais, com Colossus e Cain à frente, invocam o temível Cyttorak em seu templo. O demônio responde ao chamado e desdenha de seus antigos avatares, já que agora possui um novo. Colossus o provoca e lhe pede que seja transformado novamente em seu avatar, não para causar mais morte e destruição na Terra, mas para destruir seu criador. A criatura, ávida por um desafio, pondera por um instante e aceita o pedido.

Fora do templo, Ahmet sente o seu poder se esvair e é violentamente atacado por um bólido em forma humana caindo do céu. Ele é incapaz de resistir ao seu oponente e é fragorosamente derrotado. Os X-Men percebem que Cyttorak aceitou a proposta, mas em seus próprios termos ao se verem à frente de Cain Marko, transformado novamente no invencível Fanático.


Cain permanece irredutível em seu desejo de vingar a morte de Xavier e os X-Men precisam detê-lo. A equipe mutante se lança ao combate e remove o capacete de seu oponente, algo que antigamente seria o suficiente para que uma rajada mental o incapacitasse, mas agora isso não funciona mais. Colossus se adianta e parte para a ofensiva com uma série de golpes, Ele dá o seu melhor, mas Cain mal se abala. O mutante percebe que não é páreo para a força física do Fanático e parte para um estratagema desesperado ao desferir um murro contra o solo para se livrar dele.


O Fanático afunda no mar e quase acontece o mesmo com Colossus, que consegue se salvar no último instante. O combate é interrompido por hora e os X-Men decidem partir. Mas eles sabem que terão que lidar  novamente, em breve, com aquele que nunca vai parar por nada.


E assim temos o encerramento do título Espetaculares X-Men com este bom arco de histórias. Para mim, o maior mérito dele foi tornar o Fanático um adversário digno de nota para a equipe mutante novamente, mas acho que esse assunto de vingar a morte de Charles Xavier já foi explorado demais. Os desenhos de Jorge Fornés estavam bons, com um visual "oitentista" que me agrada, mas sua narrativa é moderna e suas cenas de ação tem um dinamismo muito bom.

C@rlos

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Magneto: Seu pior pesadelo


Magneto retornou à nação insular de Genosha disposto a reconstruí-la como um refúgio seguro para a espécie mutante após um combate feroz contra a SHIELD (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão). Sua principal aliada, Briar Raleigh, parece ter escolhido um lado durante essa guerra ao ajudá-lo e agora eles estão mais próximos do que nunca. Mas a ilha contém os seus segredos e um dos mais terríveis está prestes a se revelar, como irá nos mostrar o escritor Cullen Bunn e o desenhista Gabriel Hernandez Walta em Magneto #16 e #17, publicadas aqui em X-Men Extra #28 pela Panini.

Magneto e Briar desfrutam de um momento de total intimidade, mas são interrompidos por um apelo desesperado. Um grupo de mutantes foi assassinado com requintes de crueldade, aparentemente por um algoz da juventude de Magneto, o comandante nazista Major Hitzig, que Wolverine assassinou no Brasil a pedido do Mestre do Magnetismo. Mais tarde, o mutante faria questão de ver o cadáver com seus próprios olhos.


Agora Hitzig retornou de alguma maneira. Magneto e sua guarda de elite, os Carrascos, estão à caça dele. Mas a fronteira entre caçador e caça se torna cada vez mais tênue, pois ele e Briar encontram um aviso assustador no espelho do banheiro das acomodações do mutante: "Mantenha as fornalhas acesas, Erik". A frase evoca lembranças terríveis do passado do mutante. De alguma maneira, o monstruoso assassino estava no quarto com Magneto e Briar os vigiando o tempo todo.


Magneto tenta acalmar os demais mutantes se fazendo presente o tempo todo, mas desconfia que o responsável pelos assassinatos é um deles. O mutante encontra Hitzig quando ele faz mais uma vítima e o confronta brutalmente, mas seu oponente foge dizendo: "se pretende ressuscitar Genosha como um Deus, é necessário fazer sacrifícios". Magneto percebe que, mesmo com a morte do verdadeiro Hitzig, há algo que faz com que ele se perpetue, causando mais vítimas.

Enquanto isso, Briar entra em suas acomodações. Arco Voltaico, uma dos Carrascos, foi designada por Magneto para protegê-la e parece bem enciumada da proximidade dela com o Mestre do Magnetismo. Infelizmente, a jovem é recepcionada pelo perverso Major Hitzig e está prestes a encontrar o seu fim.


Afastado dali, Magneto se dirige de encontro a Amy, uma das primeiras mutantes que encontrou ao invadir Genosha para libertá-la do Caveira Vermelha. A jovem não parece surpresa e diz que sabe o que está acontecendo. Magneto diz a ela que seus poderes abrangem muito mais do que criar ilusões, que são capazes também de torná-las reais. Ela retruca dizendo que não é o caso de todas, mas que algumas são incontroláveis.

Amy acrescenta que suas ilusões vêm da sua própria imaginação, mas que outras parecem ser tiradas da mente das pessoas ao seu redor, o que é o caso do Major Hitzig, tirado da mente de Magneto. O mutante enxerga apenas um caminho possível para solucionar o impasse: "feche os olhos criança, pois aliviarei sua dor". Logo em seguida, a figura de Hitzig se dissolve e Briar é salva por pouco. Magneto está finalmente livre para construir o seu reino, às custas de um sacrifício de sangue.


Cullen Bunn continua surpreendendo os leitores. Algo aparentemente corriqueiro pode explicar muita coisa mais à frente. Achei interessante ele resgatar um antagonista obscuro que apareceu no antigo título da X-Force da época em que a equipe estava sediada em Utopia e funcionava como uma "polícia secreta mutante" a mando de Ciclope .Contudo, a série se aproxima do seu fim e alguns assuntos encontram uma resolução, como esse que envolvia o Major Hitzig. 

Os desenhos de Gabriel Hernandez Walta continuam ótimos, valorizados pela excelente paleta de cores de Jordie Bellaire. A sequência em "flashback" com Magneto desenterrando o cadáver de Hitzig no Brasil é impactante.

Resta apenas um arco para encerrar o título antes que o Universo 616 encontre o seu fim nas próximas Guerras Secretas! Esteja novamente aqui para acompanhar, em breve, Os Últimos Dias de Magneto!

C@rlos

sábado, 2 de julho de 2016

Noturno contra os Escravagistas



Quando tudo parecia resolvido na história anterior, Noturno viu dois de seus principais alunos - Rico e Ziggy Karst - serem raptados pelos Piratas Sangrentos. Por sorte, sua mais nova aliada e também uma ex-pirata, Bess, sabia exatamente para onde os vilões devem ter levados as crianças. E assim, o Professor Wagner e sua mais nova namorada se preparam para invadir os domínios do escravagista Tullamore Voge.

Milhares de anos-luz dali, Rico e Ziggy se depararam com um lugar horrível onde não só os Piratas Sangrentos mais muitos outros caçadores levavam as crianças mutantes para serem vendidas nos leilões de escravos. Tudo começa com um mecanismo que mostra como serão potencialmente os escravos no futuro quando crescerem e Rico e Ziggy se mostram como formidáveis heróis usando roupas de X-Men. Isso aumentou bastante os valores dos dois nos leilões. E em contrapartida, estimulou os dois a reagir.



Ziggy usou alguns explosivos que mantinha escondidos para abater os cães do Mar e livrar-se das suas correias. Já Ziggy tinha sua cauda e ferrão para derrubar os piratas que o prendiam. Fugiram pelas ruas daquele mundo enquanto seus valores iam aumentando cada vez mais no leilão. Por onde passavam, viam mais crianças mutantes de outras realidades desamparadas e isso fez com que elas mesmo correndo risco decidissem lutar por elas e não mais apenas se esconder.

Por sorte, Kurt e Bess chegaram a tempo para ajudar na luta. Primeiro, tiveram que lidar com um bando de farejadores, o que lembrou a Noturno como sua amiga Rachel sofreu no passado. Com essa façanha, até mesmo Kurt estava sendo negociado nas apostas dos leilões agora. Derrotados os inimigos, Rico e Ziggy convenceram o seu Professor e Bess a lutar pelas demais crianças e livrar aquele lugar. Todavia, a chegada de surpreendentes e perigosos inimigos fez o  X-Man mudar de ideia e obrigar as criança a fugir.


Voge havia desistido dos erros dos Piratas Sangrentos e queria vendê-los agora por todo prejuízo que causaram. No lugar deles, contratou agora os Lobos de Guerra, perigosos vilões dos tempos do Excalibur que roubavam a alma e tomavam a pele de suas vítimas no lugar. Noturno tinha péssimas lembranças de encontros posteriores com aqueles animais e sabia que não podia vacilar ou tudo se perderia.

Do outro lado, as crianças acabaram desobedecendo mais uma vez o Professor Wagner e com a ajuda agora dos Bamfs estavam decididas a deter Tullamore Voge. Armaram um baita plano pra cima do escravagista e de fato conseguiram o prender na mesma nave que trouxe Kurt e Wagner até ali.


Já Noturno estava realmente em apuros. Os poderes de Bess quase não tinham efeitos nos Lobos de Guerra e ela praticamente estava a mercê deles para ser consumida. Noturno teve que usar toda sua determinação e truques que aprendeu no circo para acorrentar os monstros e salvar a companheira. Já desfalecida, Noturno a pegou nos braço e rezou junto com as crianças para que ela voltasse. E assim a moça atendeu não só as seus pedidos como lhe devolveu um amoroso beijo de recompensa.

Tudo então estava resolvido, as crianças escravas foram devolvidas a seus lares nas diversas realidades e aquelas que não tinham mais pais ou lugar pra ficar retornaram como novos alunos da Escola Jean Grey. Rico e Ziggy mudaram depois daquela aventura, praticamente assumindo os uniformes que usariam no futuro quando fossem grandes heróis. Já Bess seguiu para outra missão para salvar os seus ex-companheiros piratas. A vida entre ela e noturno seria decidida depois. Já Kurt Wagner parecia estar finalmente em paz e decidido qual seu lugar neste novo mundo.


As histórias nas edições 26 e 27 da X-Men Extra encerram a mensal do Noturno e concluem a passagem de Chris Claremont mais uma vez na Marvel. O enredo chega a soar meio saudosista às vezes, mas dá pra perceber que o roteirista está apenas tateando aquela ousadia que já teve um dia. Não deixa de ser ainda assim uma boa história do Noturno e que se torna muito dinâmica com o talento de Todd Nauck. O desenhista por sinal fez um jogo brilhante de páginas nessas últimas edições quando em meio a toda ação espalhava na página as reações dos pequenos escravos e o resultado do leilões.

Coveiro

quarta-feira, 22 de junho de 2016

X-Force: O Fim (e todas as reflexões que ele traz)

Com esse texto, chegamos ao fim da última série da X-Force. Será que a equipe conseguiu deter Fantomex? Será que Cable (o verdadeiro) conseguiu ser curado? Será que Esperança conseguiu despertar do seu coma? As respostas para essas e outras perguntas são dadas no final, mas são as reflexões que ele traz consigo que se tornam o grande diferencial dessa série sensacional.



Já começarei essa resenha dizendo que a resposta para as três perguntas acima é "sim". Mas, para essa última resenha da série (a propósito, as histórias que a encerram foram publicadas nas edições 024 e 025 de X-Men Extra, são roteirizadas por Simon Spurrier e ilustradas por Rock-He Kim), pensei em fazer algo diferente: dessa vez, não vou comentar em detalhes o que acontece na história. Posso dizer que Esperança novamente fez uso de seus poderes "deus ex machina" – mas, como Fantomex se tornou um "diabolus ex machina", ela precisou usar o cérebro e as pistas deixadas nas edições anteriores (lembram o que Volga explicou sobre seu vírus? E como Fantomex conseguiu controlá-lo? Pois é.) para resolver os três problemas em questão. Posso dizer também que a Panini mostrou seu lado trollador com o Homem-Nulo: não sabe quem é ele? É o mesmo cara que, em menos de um ano, já se chamou Longedosolhos e Esquecível. Considerando que no exterior ele manteve um único codinome ("ForgetMeNot"), só posso deduzir que a equipe de tradutores fez uma pequena brincadeira (ou não), sendo afetada pelos poderes dele a ponto de esquecer quem ele era e por isso mudando constantemente o codinome dele em português. Sendo intencional (ou apenas falta de revisão), acabou sendo uma boa sacada.

De resto, não contarei o que mais a história mostra (claro que as imagens aqui já vão entregar alguns spoilers); deixo aos leitores a opção de ir atrás dessas histórias e lê-las ou não. Em vez disso, gostaria de usar esse espaço para falar sobre essa série como um todo. X-Force infelizmente parece ter passado batida por boa parte dos leitores brasileiros, assim como aconteceu nos Estados Unidos (onde teve vendas baixíssimas). E, sinceramente, não posso culpá-los por isso: o combo falta de divulgação (por parte da própria Marvel) + personagens pouco populares (Psylocke e Cable sendo os únicos realmente conhecidos, e mesmo eles estando longe do apelo de um Wolverine, Tempestade, Vampira ou Ciclope) + arte irregular + primeira edição confusa certamente contribuiu para afastar muita gente.

O que é uma pena, porque X-Force talvez tenha sido uma das melhores leituras que eu tive nos últimos anos. A seguir, explicarei o que achei de tão fascinante nela:



Condução da trama: como eu disse antes, a primeira edição possivelmente espantou muita gente, mostrando personagens totalmente descaracterizados. Mas quem deu uma chance à série e continuou lendo acabou descobrindo que as descaracterizações não eram erros, e faziam parte do contexto geral da trama: cada personagem tinha justificativas para agir da forma como estava agindo – Spurrier simplesmente preferiu surpreender os leitores dando essas explicações aos poucos, em vez de mostrá-las desde o começo.

Ainda sobre a trama, dois pontos chamam bastante a atenção: nenhuma edição pareceu ser usada apenas para "encher linguiça", e nenhuma pergunta foi deixada sem resposta ou respondida de forma sem sentido. Basta ler edição por edição para perceber que, de certa forma, tudo está conectado: o vírus de Volga, as ações de Cable, a organização Olho Amarelo, a corrupção de Fantomex e a forma como Esperança salvou o mundo. Ver uma narrativa tão coerente, sem arcos descartáveis ou sem a falta de mais arcos, é algo muito difícil de ver hoje em dia.



Heróis quebrados: não é segredo para ninguém que me conhece que a Psylocke é minha personagem favorita dentro do universo Marvel. Isso talvez faça muita gente se perguntar como eu posso gostar de uma história que mostra ela completamente desestabilizada emocionalmente. A verdade é que essa desestabilização já vem de longa data; nessa equipe, não só ela como todos os outros integrantes já vinham passando por crises. O problema é que, em vez de tentar se curar, eles preferiram fugir dos seus problemas e se entregar às suas vontades, achando que fazer parte da X-Force permitiria usar suas crises para um fim útil. Óbvio que isso não deu certo, e todos chegaram – tanto individualmente quanto como equipe – ao fundo do poço. O que nos leva a outro ponto...

Desconstrução dos anti-heróis (ou: o resgate dos valores): ...Nos últimos anos, o super-herói "certinho", com valores éticos, é frequentemente visto como "chato" e perde espaço para o "anti-herói", o "cara fodão", que não tem medo de tomar medidas questionáveis em nome do bem maior. O problema é que, como Spurrier mostrou em X-Force, é muito fácil se perder nessa postura dos "fins que justificam os meios", e chega uma hora em que já não é fácil dizer quem é o herói e quem é o vilão (sagas como Guerra Civil e Vingadores vs. X-Men mostram bem isso).

Isso fica particularmente claro quando Esperança revela os segredos de todos, e percebemos que o grande vilão da história não era Volga, nem Mojo, nem mesmo Fantomex... mas sim o próprio Cable (e/ou seus clones), que não teve qualquer escrúpulo para manipular seus próprios colegas e causar indiretamente inúmeras mortes em nome da proteção dos mutantes (e vocês achando que o Ciclope era radical...). Felizmente, o contato da equipe com MeMe (a verdadeira) e com Longedosolhos/Esquecível/Homem-Nulo/sei-lá ajudou-os a perceber como chegaram ao fundo do poço e salvar não só o mundo, mas também salvar a si mesmos de seus hábitos destrutivos.



Fugindo do padrão: X-Force também me marcou por seguir caminhos que não são muito comuns nas revistas "mainstream" da Marvel. Quem esperaria, por exemplo, que Pete Wisdom e o MI-13 fossem dar as caras novamente? Que o Mojo poderia se tornar uma ameaça séria para toda a população mutante? Que as maiores ameaças enfrentadas partiriam dos próprios heróis? Que os maiores heróis fossem um cara calvo com sobrepeso (eu ainda pretendo fazer cosplay do Longedosolhos em alguma convenção de HQs. É sério.) e uma adolescente sem qualquer esperança de acordar? Que o suposto protagonista da história seria substituído por clones e só participaria da história pra valer na última edição?

Vale destacar que Rob Liefeld chegou a dizer que originalmente teve a ideia de colocar o Cable nos anos 90 como vários clones de si mesmo, mas foi vetado pela Marvel. Bom, considerando que estamos falando de Rob Liefeld, tenho minhas dúvidas de que ele faria isso de uma forma aceitável, mas enfim...

Vozes dissonantes: não sei se vocês concordariam comigo nessa, mas algo de que gostei muito em X-Force foi ver como cada personagem falava como uma pessoa distinta, tinha sua própria "voz". Isso fica mais claro quando um personagem narra a história, mas mesmo nos diálogos, é possível perceber a personalidade de cada um - eles não são "intercambiáveis" (vide algumas equipes de super-heróis onde você pode trocar o personagem debaixo de cada balão e não faz diferença nenhuma).



Enfim, para quem está pensando: "Pô, mas você não foi nada imparcial na sua resenha", só posso dizer que você tem toda razão. A demora nas minhas resenhas da X-Force (a propósito, desculpem mesmo por esses atrasos enormes entre uma resenha e outra) podem parecer falta de interesse, mas é exatamente o contrário: demorava para escrever justamente porque, em meio a tantas atividades e problemas, eu sabia que um texto feito às pressas não ajudaria a expressar o quanto eu gostei dessa série.

Sei que alguns de vocês detestaram, e que a maioria nem leu. Mas, para quem gostou (ou pelo menos para quem queria saber o que estava acontecendo nessas histórias sem precisar lê-las), espero que vocês tenham gostado de ler esses textos tanto quanto eu gostei de escrevê-los! Muito obrigado ao Coveiro por ter me dado a oportunidade de escrever sobre essa série, e muito obrigado a todos vocês que leram e comentaram esses textos (mesmo que pra dizer que eles são uma droga)! Nos vemos em breve por aqui nas próximas semanas; afinal, X-Force pode ter acabado, mas as histórias do universo X continuam...

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Homem-Aranha e os X-Men: Loucademia de Mutantes


A missão de Peter Parker, o Espetacular Homem-Aranha na Escola Jean Grey para Estudos Avançados vai de mal a pior. Ele recebeu a incumbência de seu falecido amigo Logan de encontrar um traidor entre os alunos da instituição, mas até agora só tem se metido em enrascadas com eles. Peter e sua turma derrotaram Sauron e Stegron, mas foram logo em seguida capturados pelo Camaleão, um velho inimigo do Aracnídeo e levados para o déspota multiversal Mojo, que os escravizou em sua Rede Mojo de Videovisão.

E agora, como nossos heróis voltarão para a escola? Se voltarem, como Peter lidará com a diretora, Ororo Munroe, cada vez mais furiosa com o novo professor? Acompanhemos agora o desenrolar dos próximos fatos, trazidos por Elliot Kalan nos roteiros e Marco Failla e RB Silva nos desenhos em Spider-Man and the X-Men #3 e #4, publicadas aqui em X-Men Extra #26 e #27 pela Panini.

Peter, Satânico, Pedreira, Ernst, Glob e Garota-Tubarão sofreram uma lavagem cerebral e são forçados a lutar em inúmeros combates contra uma infinidade de vilões holográficos do Aracnídeo para a alegria dos telespectadores do mojoverso. Mas eles recobram a memória graças à telepata da turma, a Garota-Nula, que se liberta do seu cárcere e faz todos se lembrarem de tudo bem durante o show.


Mojo se revolta e corta o sinal. Peter confronta Ocular, que parecia trabalhar por vontade própria para o tresloucado alienígena, mas era o Camaleão disfarçado. O show recomeça, o Camaleão foge e os vilões holográficos voltam à carga. Satânico e Ernst derrubam a parede e assim todos podem abandonar o "estúdio" e procurar por seus colegas ausentes.

Em outro ponto do complexo, Ocular se encontra aprisionado e obrigado a assistir à péssima programação da Mojovisão, mas é libertado por alguém bem familiar.


Peter e os demais alcançam o Camaleão, mas ele ameaça Glob com uma pistola de fusão. O inimigo ativa um dispositivo multiplicador de imagens e os dois se misturam a elas, o que torna impossível identificar quem são os verdadeiros. O impasse é resolvido pela chegada de Ocular que, de tanto ficar aprisionado com os olhos abertos assistindo aos programas, desenvolveu a capacidade de enxergar através de ilusões, entre outras coisas e aponta aonde o vilão está de verdade. Descoberto, ele foge novamente com um dispositivo de teleporte.

Em seguida, eles são interrompidos pelos X-Babies, versões mirins da equipe mutante criadas por Mojo. Ocular conta que eles o libertaram. Peter, antes de todos confrontarem os vilões pela última vez, revela ao pequeno Logan  o trágico destino de seu inspirador.

Os heróis encontram a Garota-Nula enfrentando Mojo sozinha e entram no combate imediatamente. Ele e o Camaleão são finalmente derrotados. Agradecido por não ter sido arremessado para fora de seu próprio edifício, Mojo aceita ir para uma prisão no "mojoverso" e envia Peter e seus alunos de volta para sua dimensão original, onde são recepcionados de maneira nada amistosa por Tempestade. Peter é questionado duramente por Ororo, que está ansiosa para se livrar dele. Ele lhe conta sobre a missão póstuma que Logan lhe confiou e Ororo decide apoiá-lo, a contragosto. Resta a ela lidar com Rachel Summers, que está cada vez mais desconfiada das intenções de Peter e descobriu telepaticamente sua identidade secreta. 

Após uma nova excursão do Aracnídeo com seus alunos em que eles derrotaram um grupelho de vilões, Peter é desafiado por Hank McCoy, o Fera, para um "duelo científico" contra a turma dele. Aranha convoca seus alunos para o projeto de recriar o analisador de DNA de Sauron e Fera convoca os seus para utilizar o poder dos "banfs" para criar um corredor de teleporte para a estação espacial Zênite da ESPADA ( Equipe de Supervisão, Pesquisa, Avaliação e Defesa Alienígena).

Peter nomeia Pedreira e Garota-Tubarão como capitães de sua equipe. Glob se sente deslocado e perambula pela escola. Ele encontra a Garota-Nula na sala de Peter e conta isso a seu professor. Ele fica intrigado, mas decide esperar até o fim da disputa para resolver isso. Enquanto isso, Rachel espiona a mente de Peter e encontra a Garota-Nula em sua forma feminina, Martha Johanssohn. A jovem questiona a mutante por que veio até ali sem permissão. 


Rachel se descontrola e luta contra Martha. No plano físico, o Aranha sente sua cabeça rachar ao meio e os outros alunos percebem o que está acontecendo. Rachel descobre quem é o traidor mas, antes que ela revele a identidade dele, a informação é apagada de sua mente pela sua oponente. Ororo ordena que Peter controle sua aluna e ele abre o jogo para Martha, dizendo que sabe que ela esteve em seu escritório e exige explicações. A conversa é interrompida pelo funcionamento da máquina de Fera e seus alunos, que trouxe do Zênite velhos inimigos do Aracnídeo e da equipe mutante: Rapina, acompanhada da Ninhada, revestidos de um simbionte similar ao Venom. Peter não perde a chance de apresentar um argumento definitivo para o Fera: "É por isso que sou um cientista melhor, minhas invenções quebram antes de acontecer uma coisa dessas".



Sinceramente, estou me divertindo muito com essas histórias. Adoro ver as "mancadas do Aranha" e estou gostando muito de vê-lo como professor de uma turma tão difícil e heterogênea, mas o bom roteiro de Elliot Kalan permite que todos eles tenham importância no desenvolvimento da história. 

O traço de Marco Failla e RB Silva combina com a leveza e despretensão do título, sendo que o visual do Homem-Aranha deste último foge da inspiração de Todd McFarlane do primeiro e se aproxima bastante do de John Romita Sr. .

Sobre a Panini, ela poderia se decidir se chama Martha Johanssohn de "Garota-Nula" ou "Não-Garota", já que empregou as duas denominações. Apesar disso, a adaptação das "tiradas" do Aracnídeo para o português ficou muito boa, especialmente o Fera sendo chamado de "Fofão" e de "personagem principal de Monstros S.A.". Como no original, a editora manteve os dizeres dos últimos quadrinhos de cada capítulo com palavras que começam sempre com a mesma letra e o resultado é divertido.

C@rlos

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Magneto: Ardil


Já faz algum tempo que a jovem Briar Raleigh acompanha de perto as iniciativas de Magneto em defesa da espécie mutante, chegando ao ponto de influenciá-lo, mas ela tem os seus próprios objetivos, alguns dos quais começarão a ser revelados pelo escritor Cullen Bunn e os desenhistas Javier Fernandez e Gabriel Hernandez Walta em Magneto #13 a #15, publicadas aqui em X-Men Extra #25 a #27 pela Panini.

Briar se dirige, desacompanhada, até uma espécie de feira em que são vendidos itens estranhos como gravações em vídeo de ataques de Magneto contra a humanidade, inclusive o que a vitimou tempos atrás e a deixou com uma órtese na perna, algo que ele aparentemente ignora. Outros presentes no local têm o estranho fetiche de compararem histórias e cicatrizes, verdadeiras ou não, que envolvem outros ataques de Magneto. O assunto termina abruptamente com a chegada de uma equipe da SHIELD (Superintendência Humana de Intervenção, Espionagem, Logística e Dissuasão) liderada pela Agente Haines, que se dirige a Briar e lhe pergunta onde está Magneto.


A resposta se encontra na ilha de Genosha, aonde Magneto está desde sua epifania. Um esquadrão da SHIELD liderado pela Agente Haines vem rapidamente a seu encontro. Magneto toma mais uma dose de MGH para recarregar seus poderes e responde à ofensiva de maneira brutal. Ele questiona duramente a Agente Haines sobre aonde a SHIELD se encontrava quando os Sentinelas devastaram a ilha anos atrás ou quando o Caveira Vermelha a transformou num campo de extermínio mutante mais recentemente. A pergunta fica sem resposta, mas outras interrogações povoam sua mente. Em seguida, de maneira surpreendente e com o combate praticamente decidido a seu favor, Magneto se rende.

O mutante é aprisionado com um par de algemas inibidoras de poderes e levado para uma cela em um aeroporta-aviões da SHIELD. Ele se lembra de quando alertou Charles Xavier anos atrás de que seu detector de mutantes, Cérebro, poderia ser usado contra seu próprio povo. Em seguida, ele se livra das algemas e escapa de sua prisão.


Enquanto isso, Briar Raleigh conversa tranquilamente com a Agente Haines na ponte de comando sobre seu papel de informante da SHIELD, que não despertou nenhuma suspeita de Magneto até agora. De repente, um alarme dispara acusando a fuga do mutante, que se esgueira pelo interior da nave em direção ao servidor central e percebe, sem estar exatamente surpreso, que a SHIELD tem a sua própria versão do Cérebro. Magneto não perde tempo e conecta um "pen drive" com um vírus capaz de apagar tudo o que há sobre a espécie mutante nos bancos de dados da organização. Ele até poderia se retirar agora, mas não resiste à tentação de deixar uma mensagem bem clara.

Magneto não ignora que existe uma simpatizante dos mutantes cooptada por Xavier na SHIELD, a Agente Rodriguez, responsável por soltar as algemas que o aprisionavam. Ela se reporta a Haines, fingindo não saber de nada e a conversa é interrompida pela chegada dos Carrascos, que Magneto reprogramou a seu serviço. 


O ataque deles é implacável. Durante a confusão, Magneto "resgata" Briar, que mal disfarça a surpresa, mas se recompõe rapidamente. Ambos se dirigem para fora, bem a tempo de Magneto salvar a vida de Haines, que estava prestes a ser estripada pelo clone de Dentes de Sabre. Magneto se livra dele atirando-o em um exaustor da nave e a Agente Rodriguez ampara sua chefe e exige a rendição do mutante, cumprindo bem seu papel de "agente dupla". Magneto nega o pedido e dá um recado a Haines: "deixe Genosha comigo, se ousar cruzar minhas fronteiras novamente, o prejuízo será infinitamente pior".

Esse título "solo" de Magneto mantêm sua consistência de apresentar boas histórias. Não é uma trama propriamente complexa mas, aos poucos, vários elementos são acrescentados e reapresentados de maneira surpreendente, e isso é muito bom para manter o interesse do leitor. Já devo ter mencionado antes, mas gosto de como Cullen Bunn entende as motivações de Magneto e sabe explorar muito bem a contradição entre o que ele quer realizar, até certo ponto louvável e a crueza de suas ações. 


Não ficou claro para mim onde Magneto conseguiu um vírus capaz de inutilizar o banco de dados da SHIELD: se já estava no mesmo dispositivo utilizado antes com o nome de todos os mutantes assassinados de seu memorial ou se estava no que Briar lhe deu como gesto de "boa vontade" quando se conheceram. Ficou algo meio "jogado" na história, na minha opinião.

Os desenhos e narrativas de Javier Fernandez e Gabriel Hernandez Walta estavam muito bons como sempre, com a ótima colorização de Dan Brown e Jordie Bellaire. Felizmente, o revezamento de todos esses artistas não comprometem a "identidade visual" do título. A capa variante feita por John Cassaday para a edição #15 do título, que pode ser vista logo acima, ficou sensacional.

C@rlos