quinta-feira, 16 de março de 2017

Deadpool: O vilão insano, a descendente do futuro e o cover mexicano



Para alguns personagens, o começo da Nova e Diferente Marvel pode não ter sido lá uma boa coisa. Mas esse não é o caso do senhor Wade Wilson. Agora, mais que apenas um Mercenário Tagarela, Deadpool é um homem de negócios e sua própria imagem tornou-se um grande investimento. Exposição é o que não falta. Finalmente conseguiu um vaga de Fabuloso Vingador e ainda ajudou a formar os Heróis de Aluguel... quer dizer... Mercenários Pagos do Deadpool. Contudo, nem tudo são flores na vida o anti-herói. Além de lidar com uma esposa demoníaca bem irritada com sua mudança de comportamento, Wilson terá que se acertar com uma versão sua que quer queimar seu filme.

Como vimos nas primeiras edições, o Capitão Louco acabou se revelando como o integrante traidor de seus Mercenários Pagos. Matou Comissário de Zoneamento da cidade - que por sinal, era um safado também - pondo a culpa no Deadpool original e estimulou com seus poderes insanos muitos dos fãs do Mercenário Tagarela a sair por aí arrebentando pelas ruas da cidade. Para lidar com o Capitão Louco, Wilson acabou tendo que contar com suas atuais duas equipes dando uma forcinha.

Pra começar, Wade foi irresponsável o suficiente para usar sua filha Ellie como isca (que foi retirada do local pelo Mercúrio assim que o tiroteio começou).  Mais tarde Wilson certamente ouviria uma baita bronca da Agente Preston, mas o importante é que ele desentocou o Capitão Louco e pode brigar no mano a mano com o vilão. Ninguém precisaria perguntar quais as motivações daquele maluco, mas assim que o desmascarou, Deadpool percebeu que dividiu com o Capitão Louco muito mais que sua mente. Ele agora também tinha um rosto deformado assim como Wilson e alegava que todo o ódio e remorso que era de Wade ficou exclusivamente em sua mente depois que os dois voltaram a se separar. Enfim, o Louco ficou mais insano e estava determinado a liquidar Deadpool como vingança.



Na luta, não havia muitas vantagens de nenhum dos lados. E como os demais Mercenários Pagos estavam ocupados tentando deter os fãs insanos do  Deadpool pelas ruas, Wade estava sozinho nessa. Ou assim pensávamos. O fato é que Wilson acabou já chamando um membro reserva pros seus Mercenários Pagos vindo direto do México (que o Señor Trump não leia isso). El Masacre, a versão do Deadpool que fala só Castelhano, apareceu em hora providencial para decapitar o Capitão Louco e salvar seu ídolo. Mas assim como Deadpool, o Capitão Louco agora era alguém difícil de se matar. O plano seria retalhar o vilão insano e colocá-lo dentro de um caixote indestrutível trazido pelo Arraia. Só que não deu muito certo.



Obviamente, o Louco tinha outros planos. Conseguiu resistir, roubou um mini canhão chitauri do Deadpool (onde Wilson arrumou um destes afinal?) e uma vez cercado por todos os outros Mercenários pagos, decidiu que iria atirar em si mesmo e se desfazer em nível molecular. Agora, ele era um "fantasma" na vida do Deadpool, que sempre teria que olhar por cima dos ombros desconfiado de que o vilão maluco pudesse voltar a qualquer instante.

Com isso, as coisas aparentemente voltaram a se normalizar. Os cidadãos voltaram a si, apesar de ainda estarem totalmente ligados naquela Deadpoolmania. Depois de atender alguns fãs que literalmente brigavam pela máscara original do Deadpool e tirar algumas selfies, Wade voltou para o seu "quartel-general" no cinema Schaefer. Contudo, parece que pelo menos uma pessoa ali já não estava tão disposta a olhar do mesmo jeito para a própria imagem no fim do dia.

Ainda na edição 3 da mesma revista, o leitor verá uma história extra da versão da Deadpool 2099. Filha do Wade Wilson original, ela luta contra a polícia privada do 'Olho Público' montada num dragão mecânico. Quando precisa de ajuda, a garota ainda pode contar com sua gangue de amigos, os Bobs. E no fim do dia, pode retornar finalmente pra casa onde seu velho pai vive preso... literalmente. Daí, descobrimos um pouco mais sobre a vida particular dessa nova versão do personagem. Ela não é a Ellie, se você em algum momento desconfiou disto. Ellie aparentemente está morta. A Deadpool é Warda, a filha de Wilson com Skillah, literalmente uma meio-demônia vivendo na Terra. A relação entre os dois é péssima e tem o misterioso sumiço da Rainha dos Monstros como pivô, pois Wade não lembra o que aconteceu com sua ex-esposa. E pra piorar, temos uma outra Deadpool rodando pelo pedaço, mas o encontro das e continuação desta história só veremos mais adiante.



Voltando agora para o presente na edição 4 da nova revista mensal do Deadpool, temos um gostinho do dia a dia do Senhor Wilson. Os Mercenário Pagos agora estão a todo vapor. El Masacre agora é oficialmente um novo membro e o Matador de Idiotas agora faz faculdade de psicologia na Empire States (mas isso não quer dizer que Deadpool possa se consultar com ele). No decorrer do dia, Wilson tem um flash repentino do passado e lembra que tempos atrás foi xingado pelo Punho de Ferro e acha que ainda dá tempo de rebater nos dias atuais. Depois, decide acabar com um monte de ninjas do tentáculo só pra extravasar o estresse. Em seguida, é lembrado que tem que voltar aos subterrâneos e dar satisfação de seu novo comportamento a sua endiabrada esposa.

Lá pelo meio da revista, uma imagem bem bacana da "planta" do Cinema Schaefer remonta aquelas páginas extras bem antigas das histórias do Quarteto Fantástico do Stan Lee e revela como se dividem os quarteis-generais dos Fabulosos Vingadores e dos Mercenários naquele lugar. Mas talvez o ponto principal desta parte seja o recadinho que ele descobre em seu diário deixado pelo Capitão Louco - "Creed estava lá". Deadpool não entende direito a mensagem, mas pode acreditar que até o final destas páginas ele vai ligar os pontos.

A história então segue com mais dos mesmos absurdos do dia a dia de Wilson, que aos poucos vai recuperando lembranças passadas. A noite ele vai bater na casa de um mané que anos atrás entregou pra ele e uma molecada Potterista uns spoilers dos filmes e decide que ainda está em tempo de dar o troco. Mais adiante recorda-se que Doutor Samson disse no passado que ia ajudar ele com seus problemas mentais, mas Samson acabou morrendo em uma história qualquer do Hulk e nunca cumpriu sua palavra. E na falta do bom Doc (Deadpool o desenterrou só pra verificar), Wilson convoca o Matador de Idiotas para lhe ajudar.

E lembra que falei que até o fim dessa história o Deadpool iria lembrar do Creed. Pois ele acabou encontrando numa das páginas de seu "caderninho do rancor" o nome do Dentes de Sabres. O motivo dele estar ali não era relacionado a morte dos pais de Wilson como se esperava, mas sim por uns xingamentos bestas. Indiferente a isso, o certo é que nas próximas edições os dois vão certamente se encarar.



E pra complementar essa edição 4, a segunda história que acompanha é uma especial do El Masacre. Além de contar a origem do novo personagem, vale de curiosidade que essa edição foi publicada inteiramente em espanhol no seu original (mas acabaram traduzindo aqui no Brasil para um portunhol mesmo). O vigilante inspirado por Deadpool pode lá não ser muito original em suas histórias, já que seu maior inimigo é um tal de Caveira Verde e seu informante na polícia chama-se Jaime Gordón. Assim, depois de algumas páginas sanguinolentas de Scott Koblish, vemos até o ponto em que El Masacre resolve o problema da bandidagem local e ruma de motoca para o norte com seus "machetes" e sua onça Justicia para servir seu ídolo Deadpool

Deadpool é o herói do momento certamente. Com três revistas mensais no Brasil, acredito que seja o personagem solo que já teve maior número de publicações mensais concomitantes até hoje. E o sucesso não vem a toa. De altos e baixos de níveis de história por que passou, as atuais escritas por Gerry Duggan são lá em cima. Não é a toa que o escritor comediante foi ganhando mais e mais espaço na Marvel de uns anos pra cá.

Coveiro

comments powered by Disqus