Mostrando postagens com marcador Roy Thomas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Roy Thomas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de abril de 2024

A polêmica da criação do Wolverine: O que disseram os autores ao longo dos anos!?

Wolverine foi criado para Incredible Hulk #180 pelo escritor Len Wein, desenhado por John Romita Sr e desenhado por Herb Trimpe em 1974, antes do personagem ser escolhido por Wein para Giant-Size X-Men #1. As histórias de bastidores, no entanto, respaldadas por várias entrevistas feitas já naquela época ditam que no caso em particular do Wolverine, Roy Thomas teria algumas especificações muito detalhadas sobre como deveria ser esse personagem. É curioso que até mesmo o nome de Dave Cockrum (responsável por reformular os 'novos X-Men' em 1975) entra nessa confusão. Então, essa semana, houve mais uma polêmica envolvendo a disputa de criação do baixinho canadense e mutante mais popular da Marvel. Saiba um pouco mais da história aqui.




Roy Thomas era então editor-chefe da Marvel, foi o sucessor de Stan Lee no cargo, e sob sua supervisão muitos personagens famosos foram criados. Em boa parte deles, o editor deu bastante detalhes e ideias para criações dos heróis e vilões que povoaram a Marvel nos anos 70. Contudo, para muitos, tais contribuições normalmente não são consideradas nos créditos como criador. O fato é que desde a morte de Len Wein, ou até mesmo um pouco antes disso, Roy Thomas tem tentado colocar por aí a ideia de que ele deve ser considerado um co-criador do personagem e aparentemente a Marvel Studios cedeu a ideia agora e ele será assim creditado no próximo Deadpool & Wolverine. Em oposição a isso, a viúva de Len Wein, Christine Valada, tem se reunido com alguma ajuda de algumas pessoas para manter a história inalterada e os créditos serem dados as pessoas corretas.

"Len Wein foi treinado como artista e sua descrição do design foi que ele se sentou com John e eles desenvolveram o visual juntos com base no que Len havia aprendido ao pesquisar carcajus. Herb então usou o design nos livros do Hulk. Então Dave Cockrum fez um redesenho. Além disso, Len foi pago por escrever para a Marvel como freelancer. Tenho o diário dele, que anota o que ele escreveu, para quais empresas, os artistas, o pagamento, as datas de publicação e se trabalhou com outro escritor. A única vez que ele listou Roy Thomas como co-roteirista foi para uma história dos Vingadores" disse ela em recente depoimento com a polêmica vindo a tona.

Para pontuar melhor essa história, sem parte dos co-criadores mais vivo para testemunhar, nos resta recorrer as entrevistas de outras épocas. Peter Sanderson conduziu uma série de entrevistas para seu livro sobre a história de criação dos mutantes em X-Men Companion lançado em 1982. 




Na época, Len Wein falou o seguinte: "Pensei em me proteger caso fizéssemos um novo quadrinho e precisássemos de outros personagens. Na verdade, o nome “Wolverine” foi sugestão de Roy: ele sugeriu “Faça um personagem chamado Wolverine”, deu-me para eu criar para o Hulk, e a maior parte do resto dos detalhes sobre quem e o que ele era eram meus. Então decidi torná-lo um adolescente mutante, para ser um dos novos X-Men, se isso fosse aprovado".

A mesma revista falou com Dave Cockrum, que não fez questão de se dizer co-criador, mesmo o nome tendo sido algo que ele quem deu primeiro a ideia para Roy Thomas muito antes:

"Não, mas fiquei ressentido com a existência dele por muito tempo porque inventei um Wolverine e o mostrei a Roy antes deste Wolverine. Eu tinha uma série de personagens que sugeri que poderiam ser X-Men… Como devo dizer isso? Fiz uma montagem artística com vários personagens novos, nenhum dos quais foi realmente identificado como alguma coisa. Um deles acabou sendo usado mais tarde como Tyr na Legião dos Super-Heróis, o cara com a arma na mão. Mas de qualquer forma, dois deles eram irmão e irmã. Ela era uma vampira que, de uma forma ou de outra, tentaria manter tudo sob controle, possivelmente apenas morder as pessoas uma vez e deixá-las em paz, e não matá-las. Ele era um tipo vulpino; animalesco, bestial, selvagem, a quem chamei de Wolverine [...]. Não, ele não tinha garras. Mas ele tinha presas e era um filho da mãe desagradável. Ele tinha quase o mesmo corte de cabelo que Wolverine tem agora. Nesse ínterim, em algum momento, Roy sugeriu a Len: “Que tal um mutante canadense chamado Wolverine?” Presumi que Roy simplesmente esqueceu que mostrei meu Wolverine a ele. Fiquei meio irritado com a coisa toda, mas parecia meio inútil continuar a reclamar. Por muito tempo eu não gostava do Wolverine…"

Garra da Guarda Imperial Shiar e Lobo Cinzento da Legião seriam figuras mais próximas da ideia de Dave Cockrum para Wolverine
 

Já o Roy Thomas, também para a X-Men Companion, disse na época:

"A única outra coisa que sugeri a ele, durante o almoço, foi que achava que já era hora de termos um herói canadense. Falou-se sobre nomes como Capitão Canuck, Capitão Canadá, coisas desse tipo, e eu sugeri que, como tínhamos um mercado canadense e eu me sentia culpado por não ter mais personagens canadenses nos quadrinhos, os X-Men deveriam ter um personagem que sugeri ser chamado de Wolverine porque esse animal habita o Canadá e também o norte dos Estados Unidos e seria familiar para ambos. Ele poderia ser canadense e muito feroz. Eu estava pensando em alguém muito parecido com o que evoluiu, um personagem muito feroz que vale seu peso em gatos selvagens, esse tipo de coisa, um pouco como o  Pantera (Wildcat) ou Átomo (ambos da DC), só que com mais poder.

Thomas também afirmou que não lembrava da "dica" de Dave Cockrum quando criou o personagem: "Poderia muito bem ter sido. Por outro lado, não tenho nenhuma lembrança consciente de ele ter feito isso. E é claro que não é preciso muita inteligência para nenhum de nós inventar um nome como Wolverine, de qualquer maneira. Personagens de animais são uma grande coisa. Dave pode ter feito isso. Por outro lado, é como quando inventei o Banshee. Recebi uma carta irritada de um garoto que disse que uma vez enviou uma carta para mim, Stan, ou para outra pessoa sugerindo um personagem chamado Banshee. E é claro que achei ridículo [risos] porque nomes como “Wolverine” ou “Banshee” são apenas nomes. Um nome como Capitão Marvel é um nome inventado, talvez, mas todos os outros – Superman, Batman – foram todos tirados de algum lugar".

Propaganda da introdução do personagem na época.



Já para a revista Alterego 124 lançada em 2014, temos uma entrevista com o desenhista Herb Trimpe, que fez o quadrinho do Hulk com a estreia do mutante canadense e ele pareceu não se importar de ter muito crédito no personagem:

"Roy veio com a ideia de um super-herói canadense. Ele queria fazê-lo e queria chama-lo de Wolverine porque ele queria que ele fosse menor qu eos demais super-heróis, mas que fosse um humano muito feroz como o Wolverine é sendo um animal. E ele disse "Eu discuti com o Len no almoço". Eu ousaria dizer que Roy teve algo com o plot também. E daí ele disse "Eu conversei com John Romita, eu discuti o personagem com John". O John fez os desenhos preliminares do personagem, e teve mais alguns ajustes feito no decorrer do caminho. E eu estava lá. Eu posso ter colocado alguma ideia, eu não sei. Eu não me importo"

"A versão da história do John é que o Roy foi até ele e pediu a ele para fazer o desenho de um personagem chamado Wolverine, dando a ele um pouco do background e quais seriam suas habilidades. E john disse "eu nem sei o que é um Wolverine. Eu achei que era a fêmea do Lobo". Então, ele disse que 'vou atrás de uma enciclopédia' e John olhou para o personagem e ele viu como ele parecia e começou a trabalhar com isso para sua arte".


É possível ver que Roy Thomas, na década de 80, não parecia se importar muito com ser creditado e dar atenção ao que ele ajudou a criar no personagem. Isso notoriamente mudou com a popularização do universo dos heróis dos cinemas. Diferente da revista anterior, ele explicou o processo criativo de criação do Wolverine na Alter Ego #76 que saiu também em 2014:

"Eu disse a Len Wein para escrever o personagem porque gostei do sotaque que ele deu ao irmão Vodu anteriormente (jamaicano para um personagem haitiano, mas pelo menos tinha caráter, e Len o fez bem). Eu dei a ele porque ele era um dos melhores escritores da Marvel e porque eu estava ocupado apenas sendo editor e escrevendo os vários quadrinhos de Conan".

"Eu tinha apenas três requisitos para o Wolverine, todos os quais entreguei a Len em meu escritório: (1) Ele era canadense e foi anunciado como tal imediatamente. (2) Ele era baixo, porque o carcaju é um animal pequeno. (3) Ele tinha um temperamento explosivo, porque os wolverines são conhecidos por serem ferozes e enfrentarem feras muito maiores do que eles".

Sobre dar também créditos a Herb Trimpe, ele disse "Eu mesmo sempre considerei Herb um co-criador do Wolverine. Se não for, então George Tuska também não é um co-criador de Luke Cage (o que eu considero que ele seja), porque ele também "apenas desenhou a história" de um personagem escrito por Stan, Archie Goodwin e eu mesmo e visualmente desenhado por John Romita".


John Romita com seu primeiro rascunho do Wolverine

Em 2015, Herb Trimpe teria definido a criação do Wolverine assim "Da maneira como eu vejo, Romita e Len Wein forjaram o monstro juntos e dei um choque pra dar vida a ele! Era apenas um personagem secundário ou terciário, na verdade, que estavamos usando naquele quadrinho em particular sem nenhuma noção especial pra onde ele iria. Nós fizemos personagem em O Incrível Hulk ao mesmo tempo em edições em particular e aquelas foram o final deles".

A questão toda sobre co-criação do personagem é sempre um pouco mais complicada, apesar de que como vimos na matéria anterior sobre o assunto, muitos editores, inclusive atuais da Marvel, não concordam que eles devem receber créditos de co-criação. Afinal, eles trabalham para a empresa e a função deles é uma demanda e cobrança para os verdadeiros artistas - roteiristas e desenhistas - contratados. Mas certamente essa é uma coisa que Roy Thomas não vai ceder. Ele vem promovendo isso e continuará assim por um tempo...




Ainda assim, é inegável que não só nos primeiros momentos, mas ao longo do tempo, o Wolverine foi criado por várias mãos, pois o personagem só é o que é hoje porque muitos dos que vieram depois tornaram-no popular. Roy Thomas era de fato o responsável pela ideia, de ter um personagem estrangeiro, com este nome e arredio. John Romita o deu forma, que foi depois modelada em uma narrativa visual por Herb Trimpe. Len Wein foi quem deu voz, ideia e maneirismo. Inclusive depois, quando o levou para a 'nova gênese' dos X-Men e o tornou mutante. Foi Len Wein também que o chamou pela primeira vez de Arma X e disse que suas garras seriam de Adamantium. Gil Kane (quase que sem querer) deu a ele a máscara pontuda. Dave Cockrum continuou as aventuras agora com a nova roupa e o desenhou sem uniforme (não sendo mais adolescente, mas sim um homem maduro). John Byrne, apaixonado pelo personagem, fez de tudo para colocá-lo em destaque e popularizá-lo. E em meio a isso, Chris Claremont, definiu toda a sua história por 17 anos sequenciais, sendo o primeiro a escrever minisséries solo e a revista mensal. O passado, as gírias, o jargão de ser "melhor naquilo que faz" e o Snikt foram dados por ele.

Coveiro

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Roy Thomas passou a receber créditos como Co-Criador do Wolverine e gera polêmicas no meio dos quadrinhos

 Muitas vezes há uma disputa de créditos de criação de personagem na Marvel Comics. E assim, tardiamente, alguns nomes que estavam nos bastidores, recebem posteriormente os devidos louros na participação de determinada obra. E desta vez, tivemos mais uma dessas mudanças que fez com que o célebre roteirista Roy Thomas receba um crédito por ajudar a criar um dos personagens mais populares da editora, o Wolverine. Essa mudança logo virou uma polêmica que rapidamente se tornou assunto no Twitter. Thomas, um ícone de longa data da Marvel Comics, atuou como editor-chefe da Casa das Ideias durante o período em que Logan apareceu pela primeira vez. Agora, quase 50 anos depois, Thomas foi oficialmente adicionado à lista de criadores de Wolverine, que também inclui o escritor Len Wein, o artista Herb Trimpe e o designer John Romita Sr

Essa novidade foi compartilhada recentemente pelo ex-Editor Chefe da Marvel Bobbie Chase que falou recentemente com a viúva de Wein.

"Recentemente, minha amiga e viúva de Len Wein, Christine Valada, recebeu uma ligação do executivo da Marvel, David Bogart, informando-a que no próximo filme de Wolverine e Deadpool (que será lançado em julho), Roy Thomas será agora creditado como o co-criador do Wolverine no filme junto com Len Wein e John Romita Sr., e David disseram que é um acordo fechado” compartilhou Chase em uma longa postagem no Facebook no início da semana. "Eu estava na cozinha de Christine no domingo passado quando ela me contou sobre o telefonema. É claro que Christine está seriamente preocupada com o legado de Len. Len Wein foi profundamente importante para a indústria de quadrinhos, e esse legado está sendo mudado para pior, seis anos após sua morte."

Os movimentos de Roy Thomas para receber os créditos vem já de alguns anos. Alguns sites como o Bleeding Cool fizeram algumas pesquisas para exemplificar isso e publicaram o depoimento completo do ex-editor da Marvel Comics, Bob Chase: 

"Roy e seu empresário John Cimino enviaram um artigo ao CBR para publicação on-line, que publicaram em 9 de fevereiro de 2019. Parece que o "artigo" enviado ao CBR foi um artigo que John Cimino escreveu em seu blog no início de 2018, apenas alguns meses depois da morte de Len. É intitulado 'Arma eX-plicado: co-criador de Wolverine revela a verdade por trás de sua origem'. Pode valer a pena notar que isso foi feito quatro anos depois da morte de Herb, dois anos depois da morte de Len e três meses depois da morte de Stan. Nesta peça Roy finalmente “descobre” a verdadeira história da origem de Wolverine, na qual ele diz ter co-criado o personagem. Como Roy diz naquele artigo, ele sugeriu o nome e pediu que o personagem fosse canadense". 

Na época que saiu a matéria, um amigo da Viúva chegou a alertá-la sobre o artigo quando ele foi publicado, mas ela não estava preocupada no momento. Ela estava de luto.

Bob Chase prosseguiu: “Mesmo que Roy pudesse ter contribuído tanto para o personagem quanto Len – ele deveria receber o crédito? Contribuir com um nome e um país de origem significa que ele merece uma porcentagem do patrimônio do criador, quando fazia parte da equipe da empresa? A Marvel agora merece uma divisão, já que eles seriam então cocriadores, tendo contratado o editor agora assumindo o crédito? A Marvel é a proprietária do personagem, neste caso específico e na maioria dos casos, 100%. O patrimônio do personagem não implica de forma alguma que os criadores possuam qualquer parte de um personagem".

"Na época da criação de Wolverine em 1974, Roy Thomas era então editor-chefe da Marvel Comics, uma função que já ocupei, embora não tão significativamente. Roy foi apenas o segundo Editor-Chefe que a Marvel já teve, tendo substituído Stan. o próprio Stan "o cara" Lee. Portanto, pode-se dizer que foi em sua qualidade de editor que ele sugeriu ao escritor Len o nome Wolverine, e então assistiu enquanto Len criava a descrição do personagem, história por trás, poderes, maneirismos de fala e, junto com o artista John Romita Sr criou seu visual. Então meu velho amigo Herb Trimpe deu vida ao Wolverine, com linguagem corporal e maneirismos físicos, começando em Hulk #180" disse Chase.



Outro amigo da Viúva, o produtor de cinema  Carr D'Angelo, que escreveu o curta metragem The American Comic Book: A Look Through the Panels, apoiou as palavras de Chase e disse:

“Não estou de forma alguma sugerindo que Roy não contribuiu para a criação de Wolverine, embora nunca saberemos o quanto ele mereceu, especialmente quando este artigo na CBR foi publicado pouco mais de um ano após a morte de Len. Tendo feito tudo isso como editor-chefe, ele tem alguma reivindicação contratual sobre o personagem ou apenas o direito de se gabar? Se eu estivesse envolvido da mesma forma com a criação de qualquer personagem na minha época como editor ou editor-chefe, seria certamente algo que não me renderia nenhum crédito, nem eu desejaria nenhum. Trabalhar com criadores faz parte do trabalho de ser um funcionário da Marvel. “Não é como se esses personagens estivessem sendo co-criados por Roy; é como se eles estivessem sendo criados pela Marvel”.

"Pesquisei o Wiki para o Justiceiro e, aparentemente, Stan Lee leva o crédito por substituir o nome de Gerry, que seria O Assassino (inspirado em Executor) por O Justiceiro. Mas mesmo Stan nunca recebeu o crédito por co-criar o Justiceiro – porque editar/desenvolver/orientar é trabalho do Editor" alertou Carr e disse que "Há outro artigo que é interessante porque aponta que a "contribuição" de nacionalidade de Roy já havia sido apresentada por um fã na FOOM [a revista de fãs da Marvel, "Friends of Ol' Marvel"]. E Dave Cockrum alegou que as apresentações/designs de seus personagens que levaram aos Novos X-Men incluíam um personagem que deveria se chamar Wolverine. (Sempre se presume que seja baseado em algumas de suas idéias não usadas para a Legião de Super-heróis). Basicamente, a questão é que um nome e uma nacionalidade não significam que você criou um personagem. Se fosse assim, todos nós temos listas de milhares de personagens/nomes que criamos em nossos arquivos. Então agora, além de "Quem criou o Wolverine? ," Tenho uma nova pergunta: "Será que Len Wein, John Romita Sr e MARVEL criaram Wolverine?"

Bob Chase voltou a falar: "Alguma ideia, pessoal? Não sou historiador da Marvel e nunca afirmei ser. Carr, Craig e eu estávamos quebrando a cabeça no domingo à noite tentando descobrir quem mais poderia estar por perto na época e saber a resposta para todas as nossas perguntas. Por favor, avalie esta discussão e, se eu estiver errado, diga-me. Nesse caso, receberei o crédito por Danny Ketch, Motoqueiro Fantasma, quando o ex-escritor Howard Mackie e o artista Javier Saltares estiverem mortos, é claro. E talvez também depois da morte do meu ex-editor assistente, Christian Cooper, para garantir".




A REAÇÃO DA COMUNIDADE DE QUADRINHOS

Desde que o novo crédito de Thomas foi revelado, muitos criadores proeminentes se manifestaram contra ele, incluindo Tom Brevoort, Rob Liefeld e Mark Waid:

"Os criadores recebem o crédito, os editores recebem a culpa. Esse é o pacto do trabalho, e aqueles que não podem cumpri-lo isso desonra nossa profissão. Don Draper tinha razão: "É para isso que serve o dinheiro!" disse Tom Brevoort, editor executivo da Marvel, vice-presidente sênior de publicação da Marvel Comics.

"Como editor de quadrinhos há 30 anos, concordo 100%. Somos treinadores e pastores, nunca somos donos" concordou Mike Marts.

"Decisão injusta. Não há como os editores serem creditados como criadores. Esta decisão injusta é agravada pelo facto de Len já não estar aqui para contrariar o argumento ou defender-se" disse Dan Jurgens.

“Pessoal, deixe-me dizer que Christine Valada, a viúva do falecido e grande Len Wein, me contatou na segunda-feira passada para compartilhar as notícias do Wolverine. Fiquei imediatamente perturbado e terrivelmente chateado”, Rob Liefeld compartilhou. "Estou fervendo desde então. Recebi centenas de pedidos nas últimas 24 horas para avaliar este assunto e o farei. Acredite, isso está chegando. Só preciso de mais tempo para resolver."

Mark Waid acrescentou: "Uma regra nos quadrinhos: os editores não podem reivindicar o crédito de co-criador dos personagens que seus escritores e artistas criam para eles. Dar sugestões e fazer brainstorming faz parte do trabalho do editor. Tente mudar minha ideia. EuEstou brincando. Você nunca vai mudar minha opinião sobre isso".


A RESPOSTA DE ROY THOMAS

Roy Thomas demorou um pouco, mas finalmente se manifestou sobre o assunto dias depois:

“Esta situação é lamentável porque estou apenas tentando finalmente obter crédito por algo cujos fatos são conhecidos há muitos anos, e estou sendo retratado como um vampiro tentando roubar o cadáver de Len Wein em busca de crédito e dinheiro. Em primeiro lugar, esta não é uma questão financeira. Não estou recebendo um centavo, até onde eu sei, e isso de forma alguma prejudica tudo o que as famílias de Len [Wein] e John [Romita] possam estar recebendo, ou qualquer coisa", explicou ele. "Não sei qual é o acordo financeiro deles com a Marvel. Já estou recebendo dinheiro de minhas outras contribuições para a Marvel; não preciso do dinheiro do Wolverine, muito obrigado."

Thomas acrescentaria mais tarde que "eu tinha quatro requisitos para o personagem: que ele se chamasse 'Wolverine', fosse canadense, fosse feroz porque os wolverines são criaturas ferozes e que ele fosse baixo, porque os super-heróis geralmente são altos. Eu poderia tê-lo atribuído a um escritor diferente usando meus quatro parâmetros e o design de John [Romita]. Wolverine teria sido algo diferente porque não foi Len quem o escreveu, mas eu ainda teria sido o co-criador."



Wolverine foi criado para Incredible Hulk #180 pelo escritor Len Wein, desenhado por John Romita Sr e desenhado por Herb Trimpe em 1974, antes do personagem ser escolhido por Wein para Giant-Size X-Men #1. As histórias de bastidores, no entanto, respaldadas por várias entrevistas feitas já naquela época ditam que no caso em particular do Wolverine, Roy Thomas teria algumas especificações muito detalhadas sobre como deveria ser esse personagem. Mas a questão é: Os editores também deveriam receber mesmo tais créditos como co-criadores por mais envolvidos que estejam na construção do novo personagem? A polêmica está só começando...

Coveiro

domingo, 10 de setembro de 2023

Inominata 616 #208 - Os X-Men de Roy Thomas com Don Heck, Werner Roth e Neal Adams

Voltamos para as comemorações dos 60 anos dos X-Men. Desta vez, seguimos a cronologia de histórias após Stan Lee e Jack Kirby com a fase em que Roy Thomas assume acompanhado de artistas como Don Heck e Werner Roth. Com isso temos a introdução de mais vilões do grupo, volta de outros e a aparição de alguns outros mutantes heróis pela primeira vez nos gibis. O podcast avança com outros artistas tomando o lugar nas revistas como Mike Friendrich, Arnold Drake e Jim Steranko. Mas nosso foco principal é com a volta de Roy Thomas ao título acompanhado da saudosa lenda Neal Adams, trabalhando numa das fases mais marcantes dos mutantes antes da chegada de Chris Claremont.  Acompanhe o Coveiro, Paulo Artur, Rafael Felga e o nosso convidado Henrique Bracarense nessa viagem a uma época mais desconhecida dos X-Men.

Pra ter acesso imediato ao podcast, é só clicar no play abaixo ou clicar aqui pra ouvir diretamente no Archive.


CONFIRA TAMBÉM EM NOSSO ENDEREÇO NO ANCHOR E ACESSE O NOVO FEED DO INOMINATA 616 EM:  https://anchor.fm/s/77488c40/podcast/rssCopie e cole na parte do seu app de preferência que permite você adicionar o podcast pelo endereço. 

Ou procure pelo Inominata nesses buscadores ou plataformas de podcast:

Google Podcast: Clique Aqui!

Spotify: https://open.spotify.com/show/0JiwicuU0m4scUHBWpE6fh


A música temática de abertura do Inominata 616 é de propriedade exclusiva do site Universo Marvel 616, produzida pelo músico Eduardo Spicacci. Durante o podcast, também temos outras músicas com direitos autorais livres e liberadas para uso livre pela Commons Creatives. 

Coveiro

domingo, 30 de julho de 2023

Marvel anuncia livro reunindo os clássicos calendários lançados nos anos 70

 Para fãs da Marvel, fãs de design gráfico e aficionados por arte pop eis uma grande novidade: Anunciado pela primeira vez na San Diego Comic-Con durante o painel Marvel Classic for the Next Generation and Fans, a Abrams Books revelou agora a capa do Mighty Marvel Calendar Book: A Visual History!


Esta coleção impressionante reúne o conjunto completo de calendários da Marvel, que foram publicados de 1975 a 1981. Coletados pela primeira vez em uma edição de tamanho grande de luxo, apresenta uma introdução do escritor, editor e historiador da Marvel Comics, Roy Thomas, com comentários extensos pelo escritor e editor Chris Ryall.

De 1975 a 1981, a Marvel criou sete calendários consecutivos que foram projetados artisticamente e escritos de forma cativante como qualquer um de seus quadrinhos. Cada um desses calendários anuais - quer celebrassem o Bicentenário (1976) ou destacassem um personagem específico, como Homem-Aranha (1978), Hulk (1979) ou Doutor Estranho (1980), apresentavam heróis e vilões em todo o panteão do Universo Marvel - e todos os recursos inspirados compartilhados. Isso incluiu textos explicativos visuais para aniversários de notáveis funcionários e criadores da Marvel, eventos especiais na história da Marvel, citações famosas de edições favoritas dos fãs e outras menções comemorativas. Nunca antes toda essa arte original foi reimpressa de artistas icônicos da Marvel, incluindo Jack Kirby, John Buscema, John Byrne, Frank Miller, Walter Simonson, Gil Kane, George Perez, Gene Colan, Jim Starlin, Sal Buscema, Mike Ploog e dezenas mais.

Este conjunto completo de capas, interiores e entradas mensais maravilhosamente projetadas são todos reproduzidos em seu tamanho original em um conjunto de capa dura colecionável. Também está incluído o novo comentário de Chris Ryall combinado com materiais promocionais raros.

Coveiro

sábado, 8 de abril de 2023

Roy Thomas lança livro com o clássicos "selos Marvel" da década de 70

 Em 1974, o editor da Marvel Comics, Stan Lee, desenvolveu uma campanha promocional engenhosa - os selos de valor da Marvel, que apareciam nas páginas de cartas de seus quadrinhos mensais. Os leitores poderiam recortar todos os 100 selos de super-heróis e super-vilões e colocá-los em um livreto especial para pedidos pelo correio. Depois de concluídos, esses livros de selos podem ser trocados por descontos especiais e mercadorias exclusivas. O programa foi tão bem-sucedido que um segundo conjunto foi lançado em 1975. E agora, pela primeira vez, esses livros de selos originais, selos e todas as coisas efêmeras e materiais de origem são reunidos em um volume obrigatório para colecionadores e fãs, junto com o texto do ex-roteirista e agora historiador da Marvel Comics Roy Thomas e uma capa totalmente nova de Alex Ross. Veja algumas imagens:

Numa entrevista para a Marvel.com, Roy Thomas disse sobre a ideia dos selos que "eles tiveram tanto sucesso quanto Stan queria que tivessem, pois as pessoas os cortaram, colecionaram, usaram para ganhar alguns privilégios em convenções de quadrinhos etc. nenhum grande acompanhamento em mente, e acho que ele gradualmente perdeu o interesse por eles. Mas ele estava realmente entusiasmado com aqueles selos, que foram ideia dele, no início, como detalho no livro. Eles eram todos sua noção e foram guiados por ele do começo ao fim".

"Para o primeiro conjunto, alguém claramente fez uma lista de 100 personagens para aparecer na primeira rodada de selos, mas seja Stan, ou eu, ou John Romita Sr. e minha aprovação, não faço ideia. Para o segundo conjunto, suspeito que Stan teve a ideia, já que era um pouco mais simples... uma grande figura recortada nas peças de um quebra-cabeça. Mais uma vez, era inteiramente o bebê de Stan. Eu estava interessado no conteúdo dos quadrinhos (o que não quer dizer que Stan não estivesse, é claro)" disse Roy.

Roy Thomas é escritor e editor de quadrinhos desde 1965, principalmente para a Marvel Comics e DC Comics. Introduzido no Will Eisner Comic Book Hall of Fame em 2011, ele atualmente edita a revista Alter Ego, ainda escreve as tiras online de Tarzan e ocasionalmente histórias em quadrinhos. Thomas também é o autor de duas histórias definitivas para a Taschen—75 Years of Marvel Comics: From the Golden Age to the Silver Screen e The Stan Lee Story. 

Coveiro

domingo, 16 de dezembro de 2018

Roy Thomas conta a origem do título "Endgame" da sua história em quadrinhos dos anos 60

Você deve ter lido aqui com no nosso site que o nome Endgame do título do quarto filme dos Vingadores não veio completamente perdido e faz parte de uma história clássica da Marvel dos anos 70. Pois bem, agora o próprio criador desse gibi, Roy Thomas, veio a público (via seu empresário John Cimino que escreveu ao CBR) ressaltar a ideia de onde tirou o título quando escreveu essa história.



Fiquei surpreso e meio satisfeito ao ver que o quarto filme dos Vingadores tem o título secundário de "Endgame". Por uma estranha coincidência, ou seja lá o que for, foi há 50 anos (em 1969) que eu intitulei uma edição de Os Vingadores como "Endgame!". Sim, com um ponto de exclamação e tudo, é claro, porque era assim que fazíamos as coisas naqueles dias.

 Foi o capítulo final de uma história de três partes que viu Kang, o Conquistador e uma nova criação minha, O Grão Mestre, jogando um jogo de xadrez cósmico, usando os Vingadores de um lado - com o novíssimo Esquadrão Sinistro (antepassados ​​do Esquadrão Supremo de hoje), e depois os futuros Invasores (o Capitão América da Segunda Guerra Mundial, Tocha Humana e Submarino) do outro.

De volta ao ensino médio no Missouri, eu aprendi a jogar xadrez através de uma enciclopédia ... e é daí que a frase "Endgame" veio, é claro. O xadrez tem "aberturas", "Meio-Jogo" e o "jogo final". O nome "Grandmaster" veio também do xadrez, já que essa é a classificação mais alta (exceto a de ser campeão mundial) que se pode ter no jogo. No entanto, é provável que ninguém jamais faça um filme usando o título derivado de xadrez que usei em uma edição do Quarteto Fantástico da década de 1970: "Zugswang". Não me pergunte!



A história citada aconteceu nas edições The Avengers 69, 70 e 71, sendo a última a que levou o título Endgame!. Quem acompanhou Roy na arte foi Sal Buscema e Sam Grainger. Nela, os Vingadores participam de uma aventura temporal e confrontam até super-seres de outra dimensão, o Esquadrão Sinistro. Dá alguma dica pra vocês?

Coveiro

terça-feira, 13 de novembro de 2018

O último encontro de Stan Lee e Roy Thomas

Ainda com os corações apertados com a partida de Stan Lee, eis que ao menos descobrimos que nos últimos dias antes de ele nos deixar o Mestre esteve ao lado de amigos. O maior deles provavelmente é seu eterno escudeiro, Roy Thomas, que lhe sucedeu como editor-chefe da Marvel Comics quando Stan Lee seguiu outros ares. Roy Thomas, que faz 78 anos daqui a 10 dias, visitou Lee esse último Sábado junto com seu amigo John Cimino e registraram tudo em fotos. Hoje, triste com o ocorrido, Thomas pronunciou-se sobre os últimos momentos que teve com seu Mestre:





As fotos acima foram de John Cimino, que acabou de compartilhar um texto em seu facebook a pedido do Roy Thomas:

"Estou mais triste do que posso dizer com a morte de Stan, embora eu saiba, pelas minhas recentes conversas telefônicas com ele, que ele estava mais do que pronto para deixar esta Terra. Estou muito grato que, por pura circunstância, eu passei mais ou menos meia hora com ele no último sábado, e menos de 48 horas depois ele veio falecer. Naquela momento, era óbvio que ele não tinha muito da energia do velho. Stan Lee que todo mundo conhecia das convenções e dos cameos de seus filmes. Mas quando eu perguntei a ele sobre futuras aparições, ele expressou um real interesse em fazê-las, se ele pudesse encontrar uma maneira de fazê-las sem que elas fossem muito problemáticas. Eu me considero tão sortudo por ter conhecido e trabalhado com ele por tanto tempo e por muitos anos. Um dos mais importantes criadores de mitos do século XX."

John Cimino, que é um cara que vem aparentememte servindo como uma espécie de Agente de Roy Thomas, disse que as últimas palavras de Stan Lee para ele foi "Cuide do meu garoto Roy" e ele achou aquilo algo de explodir sua cabeça, afinal, para Cimino eles foram os caras que sempre cuidaram dele, que teve uma infância difícil e encontrou acalento nas revistas escritas pelos dois.

Coveiro

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Roy Thomas irá fazer uma ponta na terceira temporada do Demolidor

Uma nova lenda dos quadrinhos da Marvel deve seguir os passos de Stan Lee em termos de participações especiais no UCM. Ao menos, acontecerá uma vez, na terceira temporada do Demolidor e essa lenda é Roy Thomas, o sucessor de Stan Lee como editor-chefe da Marvel Comics nos anos 60.



Thomas soltou a novidade durante sua aparição no podcast Marvelists com os apresentadores Peter Melnick e Eddie Wilson. "Eu acho que não há problema em mencionar isso, eles simplesmente não queriam guardar segredos sobre essa coisa - ninguém vai me ver nisso provavelmente", revelou Thomas. "Mas se você tem uma lupa, provavelmente pode me avistar."

Roy Thomas é responsável por escrever 46 edições do Demolidor. Assumiu logo após a saída de Stan Lee da revista 50 do personagem, mas não ficou fixo no título por muito tempo, logo sendo substituido por Gerry Conway. De qualquer forma, vai ser interessante cada vez mais ver personalidades dos quadrinhos fazendo essas pontas nos filmes como figurantes.

Estão confirmados para voltar nesta terceira temporada Charlie Cox (Demolidor), Deborah Ann Woll (Karen Page), Elden Henson (Foggy Nelson) e Vincent D’Onofrio (Wilson Fisk), Jay Ali (Rahul Nadeem) e Wilson Benthel, num papel ainda obscu

Coveiro