Não preciso me demorar muito para resumir as quatro edições anteriores até aqui. Vimos os planos de vingança (ou Justiça, para alguns) do Hulk serem efetivados passo a passo. Seus alvos eram quatro dos integrantes dos seis Illuminati, que sozinhos decidiram ser senhores do destino do Golias Esmeralda e enviaram-no para o espaço distante, casualmente caindo no planeta Sakaar. Lá Hulk ganhou uma nova vida, lentamente esqueceu o ódio que sentia pelos heróis da Terra, mas uma trágica explosão tirou tudo o que momentaneamente ganhou – Reino, Esposa e filho.
Juntou os sobreviventes de seu novo Mundo e os liderou até a Terra, onde residiam aqueles que só podiam ser os culpados por sua desgraça. Então, derrotou-os um a um. O primeiro a cair foi o Raio Negro, rei dos Inumanos. Depois, Homem de Ferro. Mais tarde, Reed Richards, juntamente com outros tantos heróis que ficaram na cidade de Nova York para impedir a grande ameaça. O último foi Stephen Strange, o único ali que já conseguiu deter facilmente o Hulk uma vez. E ainda assim ele caiu.

Quando começamos a ler World War Hulk 5, o cenário que vemos é bem similar ao início de Planeta Hulk. Numa Arena, poderosos guerreiam até à morte, contra sua vontade. Contudo, ao invés de ser o Hulk e seu bando, lá estão Stark, Richards, Strange e Raio Negro. Eles são os monstros agora e é isso que o Hulk quer provar. E mesmo que no último instante, para surpresa de todos, o Gigante Verde não finalize a morte daqueles heróis como sentença final, aquela exposição não deixa de ser algo trágico.

Contudo, Anthony Stark tinha um plano, e ele incluía aquele que poderia ser páreo para verdão. E também aquele que também poderia ser uma ameaça tão igual quanto ele. Sentinela e Hulk iniciam uma luta que coloca Nova York abaixo, em que nenhum deles precisa se conter.

As nuances entre “vilão” e “herói” se tornam difusas mais uma vez. O final deste embate mostra dois outrora amigos fora de controle, com as energias já esgotadas, tornando a serem seus alteregos. Robert Reynolds cai, Bruce Banner fica de pé. O velho Bruce de tempos atrás, conhecido de todos aqueles heróis da Terra, mas um estranho para os alienígenas de Saakar.

E num momento em que Bruce volta-se para estender a mão para seu velho companheiro Rick Jones num sinal de trégua, Miek o ataca. Rick se joga na frente e salva o amigo, afligido de maneira mortal. Com Rick ferido em seus braços, a raiva retorna e o Hulk junto com ela, desferindo toda raiva para o companheiro Miek. E a cada novo golpe, Miek provocava o Hulk com a verdade que escondia desde Saakar.

Não foram os Illuminati que armaram a bomba que destruiu o planeta. Foi seu próprio povo, aqueles ainda fiéis ao Rei Vermelho, que preferiam ver o seu lugar completamente destruído do que governado por um Monstro. Miek viu tudo. Sabia de tudo. E preferiu calar-se para que a trilha de destruição promovida pelo Hulk desde que conheceu se perpetuasse. Como “Holku” havia dito, eles nunca deveriam parar de pagar pelo que fizeram.

Diante de tal traição, o Hulk perde completamente o controle. Ele – o destruidor de mundos – está com tanta raiva que a energia gama que vai sendo desprendida compromete toda a estrutura do Planeta. Nem mesmo ele é capaz de se controlar sozinho agora. Assim, cabe a Anthony “Fodão” Stark contornar a situação. E assim é feito.

Mais uma vez, o cenário é revertido. O outrora salvador é o destruidor. E Tony é aquele quem contém a ameaça. Hulk, por vontade própria, é revertido a sua forma humana e, por fim, contido pela SHIELD.

E essa história escolhe bem as palavras com que termina. Chega ao fim a narração da história que vimos lá em Planeta Hulk, citando uma das últimas palavras do gigante. “Não importa do que lhe chamem... Salvador... Destruidor... o que importa é sua escolha”.

Agora, Bruce Banner dorme em uma câmara de estase em uma base do governo no deserto de Mojave. Contudo, sua raiva não. O fruto dela, que adormecia nas insólitas terras de Sakaar, acaba de despertar. Mas como costumam dizer muitos narradores, “isso é uma outra história”.
Coveiro