quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Guerra Civil II: Incertezas do Futuro



Em menos de duas edições nacionais, dá pra perceber que a tensão chegou aos limites críticos nos lados que separam a Guerra Civil. Foram duas mortes, uma outra com a vida pendendo em coma e herói sendo obrigado a matar herói. A ideia de antever o futuro para salvar vidas parece que tem dado resultados cada vez mais contrários e a qualquer momento o Homem de Ferro e a Capitã Marvel vão se chocar e podem acabar um com o outro.

Na edição #3 que saiu no ano passado em bancas, temos as consequências diretas do Julgamento de Clint Barton por ter matado o Bruce Banner quando ainda estava sob risco de se tornar mais uma vez o Hulk. Minutos depois de Jennifer Walters acordar, Carol Danvers já estava de volta ao Triskellion para dar a notícia a amiga - seu primo, o Hulk morreu. Mesmo quando ela acreditava que o Hulk era impossível de ser morto. Mais do que irritada, transformada em certo ponto, a Mulher-Hulk insistiu em saber o resultado do júri sobre o caso.



Clint Barton foi absolvido. Mesmo pego em fragrante e se dizendo culpado, o Juri entendeu que o caso da morte do Bruce Banner foi quase como que um suicídio assistido. As provas juntadas mostravam que o Doutor preferia ser morto a virar o monstro mais uma vez e confiou a Clint a tarefa de "puxar o fio da tomada para desligar a máquina". Para muitos veículos de imprensa, Barton era até tido como herói, apesar de ele estar longe de se considerar como tal.

E a vida la fora continuou a seguir. Tony Stark que fez uma cópia digital do cérebro do garoto Ulysses entrava em conflito sobre se suas teorias sobre o Inumano estavam corretas ou não. Já o jovem vidente treinava todo dia em Attilan com Karnak para afinar seu dom. Paralelamente, ele passava as informações de sua visão para a Capitã Marvel e a SHIELD e assim fomos presenciando um caso cada vez maior de crimes sendo punidos antes mesmo de sequer terem sido cometidos.



Em dúvida sobre que atitude tomar, Stark promoveu uma reunião antes de que qualquer conflito insano se realizasse. Requeriu a presença de Steve Rogers (agora jovem, porém alterado pelo cubo cósmico e sem ninguém ali ter ideia de como sua alma foi retorcida). Também estavam lá outros representantes importantes dos heróis - Fera, Doutor Estranho, Pantera Negra, Medusa e Raio Negro. E, claro, Carol Danvers. Ao expor sua recém estudo, o Homem de Ferro colocou que tudo que o cérebro do Inumano Ulysses fazia era trabalhar em cima de um algoritmo de possibilidades e não prever de fato o futuro. Para Stark, o futuro nunca foi algo fixo e certo. Fera corrobou o que Tony falou e todos ali pareciam concordar que as visões não era a prova de falhas.

Contudo, para Carol, mesmo a menor porcentagem de uma visão daquelas se concretizar valia a pena o risco de usá-la. A tensão da conversa mais uma vez subiu quando o nome do falecido coronel James Rhodes veio a tona, um nome cuja perda doía tanto em Stark quanto em Danvers. A Capitã Marvel partiu resoluta dali, sem dar mais ouvidos. Tony  também chegou ao limite e disse que levaria a história a público antes que fosse tarde demais. Na reunião, Medusa parecia ser a única determinada a estar do lado da Carol.

De volta ao Triskelion, a Capitã Marvel é recebida por T'Challa e a Diretora Maria Hill da SHIELD. Ambos já averiguaram tudo sobre a vida de uma mulher que segundo as visões de Ulysses servia a HIDRA e que causaria em breve um caos no setor financeiro em prol da organização terrorista. Mas nada na vida dela indicava isso, era um currículo impecável como banqueira e tinha um pai policial. Seria esse o primeiro erro de Ulysses e suas visões? Danvers não teve tempo de duvidar. A moça foi subitamente teletransportada para o terraço pelo mutante Noturno e lá estava a postos uma equipe de resistência liderada pelo Homem de Ferro.

Stark tinha ao seu lado gente muito poderosa - a Thor, dois Capitães América, Doutor Estranho, os demais Novíssimos Vingadores além dos X-Men jovens do passado. Danvers tinha os Supremos, a Tropa Nova e alguns X-Men ao seu lado, mas logo revelou que tinha contatos até fora deste mundo. Assim, os Guardiões da Galáxia chegaram também pro primeiro grande conflito desta minissérie. Em Attilan, Medusa viu de longe o conflito começar no Triskelion e convocou sua família real para tomar uma posição lá.



Preparado para o combate, Stark antecipou vários ataques da Capitã Marvel e disse que essa era sua maneira de lidar com o futuro, sem precisa quebrar a ordem natural das coisas com possíveis e supostas visões. Os demais heróis também pareciam tomar vantagens uns sobre os outros, ora pelo poder de fogo, ora pela experiência dos anos de estrada. E aqueles que estavam fora do combate ali, observavam em estase as imagens da briga que era transmitidas nos noticiários.

Longe dali, em Attilan, Ulysses observava a tudo com lágrimas nos olhos. Sem se dar conta, seu poder entrou em ação como nunca antes e pareceu envolver os heróis mesmo a quilômetros de distancia ali. O cenário parecia mudar ao redor deles e  uma visão aterradora tomou conta de todos - o Homem-Aranha Miles Morales matando Steve Rogers aos pés da escadaria da Casa Branca. O menino Morales mal podia acreditar no que acabou de ver, todos estavam assustados. Miss Marvel correu para o amigo tentando convencê-lo que aquilo nunca aconteceria. Então, para surpresa de Kamala Khan, a Capitã Marvel aparece atrás dela dando ordem de prisão para Miles.



Para quem já conhece de longa data o trabalho de Brian Michael Bendis, percebe que é nessa parte da história que ele perde completamente o ritmo e desanda com o timing da narrativa e se atrapalha com a história que quer passar. A discussão de Stark para defender seu ponto não traz nada de novo realmente e o contraponto da Carol parece muito mais uma birra do que uma defesa de uma posição. Depois de duas edições razoáveis, o que vemos aqui é que basicamente somente Stark e Danvers tem opiniões claras sobre a questão e tudo o que os outros heróis pensam (se pensam de fato no assunto) é deixado de lado e o que basta é apenas eles tomarem um lado. A discussão que poderia até ter um bom potencial se perde completamente, infelizmente. Já os desenhos de David Marquez permanecem sólidos e continuam sendo o forte da história.

Por fim, essa terceira edição traz mais uma parte da aventura de Nick Fury Jr escrita e desenhada por Declan Shalvey. Para descobrir mais da infiltração dentro da SHIELD, Nick fingiu sua morte e agora usava o uniforme do Cavaleiro da Lua pra não estragar seu segredo. Caçou o homem chamado Blake, que vendia armas para ambos os lados de qualquer conflito no mundo e descobriu o paradeiro daquele que estava por trás de tudo. Assim, Nick Jr foi até uma base abandonada da SHIELD no Alasca e topou com o homem escondido lá. Contudo, o misterioso sujeito conseguiu escapar e o mistério de sua identidade ficou para uma próxima edição.

Coveiro

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